CPLP

“Nem só de gás e petróleo vive África. Futuro é na agricultura”

Luís Capoulas Santos. ministro da Agricultura.
Luís Capoulas Santos. ministro da Agricultura.

CPLP. Câmara Agrícola Lusófona organiza agrofórum da comunidade. Presidente Jorge Santos destaca o potencial do continente

Lisboa recebe sexta-feira, dia 28, o primeiro AgroFórum Países da CPLP 2016, uma organização da Câmara Agrícola Lusófona (CAL) que conta já com 1.200 participantes inscritos e que pretende dar a conhecer as experiências de negócios da agroindústria no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. A conferência pretende sobretudo “atrair e mobilizar mais os empresários portugueses para que invistam” no setor e nos países africanos, quando “o agronegócio na CPLP tem agora milhões para o setor privado como nunca teve e um grande potencial de crescimento”, salienta o presidente da Câmara Agrícola Lusófona. Jorge Santos refere-se aos 3,6 mil milhões de euros de fundos que a União Europeia disponibiliza, no âmbito do novo quadro comunitário de apoio, para investimentos privados em África.

Jorge Santos lembra ainda que estes fundos resultam de uma “mudança de orientação política”, já que os apoios, antes “muito vocacionados para a ONG”, estão agora focados nas empresas e na atração de investimentos locais. “Só as empresas é que irão criar emprego e desenvolvimento”, defende. Para o presidente da CAL, África “será o próximo continente a ter uma revolução ‘verde’”, pelo que é fundamental que as empresas portuguesas “estejam atentas” ao “enorme potencial” da agroindústria na CPLP.

Um potencial que Jorge Santos não consegue quantificar, pelo que recorre aos números atuais para dar uma noção da dimensão de desenvolvimento possível: “O potencial é gigantesco, a começar pelo Brasil. Cerca de 37% das terras aráveis do planeta estão na América Latina e, destas, 33% estão na África subsariana”, lembrou, frisando a posição geoestratégica do continente. Mas também os dados do comércio: “Angola importa 2,3 mil milhões de euros anuais de produtos agroalimentares, dos quais só 700 milhões são fornecidos por Portugal. Se olharmos para Moçambique, são 36 milhões exportados para uma importação total anual de 1,4 mil milhões de euros. Só em termos de comércio bilateral já o potencial é imenso, mas há que investir localmente”, defende. Para este responsável, “o negócio dos contentores” é uma “realidade do passado” e os empresários que “quiserem ganhar quota de mercados em África têm que estar presentes, nem que seja só com o seu armazém ou o seu entreposto comercial”.

O presidente da CAL cita, ainda, os números do que é hoje já a realidade da CPLP – “quase 300 milhões de habitantes, responsáveis por 4% do PIB mundial e 2% do comércio, mas por 50% das reservas de petróleo e gás do mundo, a que se junta a língua comum, a quinta mais falada no mundo e a segunda mais usada na internet”. “Temos de trabalhar todos em conjunto para que sejamos mais fortes, em rede, criando sinergias, porque este é um mercado de tal dimensão que levará 30 a 40 anos a desbravar”.

O evento, com presença confirmada do presidente do Banco Africano para o Desenvolvimento, da representante do Mecanismo de Facilitação do Setor Privado no Conselho Consultivo Mundial de Segurança Alimentar das Nações Unidas e do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, extravasa já as fronteiras da CPLP e conta com participantes de 18 países, como a África do Sul, Gabão e Quénia.

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