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No que investem as novas gerações das famílias Rockefeller, Ford e Hyatt

Herdeiros das maiores fortunas dos EUA juntaram-se para criar um novo movimento de investimento com impacto.
Foto: FT/Pascal Perich
Herdeiros das maiores fortunas dos EUA juntaram-se para criar um novo movimento de investimento com impacto. Foto: FT/Pascal Perich

É o chamado "dinheiro antigo" das famílias mais ricas dos Estados Unidos da América e está a ser aplicado de uma forma inovadora.

Os membros das dinastias histórias dos Estados Unidos da América juntaram-se para pôr as suas fortunas ao serviço da humanidade. Não acredita? Bem, saiba em que está a ser aplicado o “dinheiro antigo” dos Rockefeller, dos Ford e dos Hyatt, entre outros.

Justin Rockefeller é tataraneto do magnata do petróleo do século XIX que já era conhecido pela sua filantropia. John D. Rockefeller iniciou a tradição familiar de apoio e/ou criação de quase uma centena de instituições dedicadas a apoiar o próximo e, agora, o tataraneto Justin decidiu encabeçar um movimento que junta as famílias mais ricas dos EUA e as incentiva a dar, mas de uma forma nova: investimento com impacto.

“The Impact” inspirou-se no movimento “Giving Pledge”, de Warren Buffet e Bill Gates, e reuniu, há dias, os membros das referidas famílias para discutirem como podem fazer o bem.

Justin Rockefeller Foto: FT/ Pascal Perich

Justin Rockefeller
Foto: FT/ Pascal Perich

“Faço parte desta família fabulosa, que tem uma história rica em capitalismo e também filantropia”, explicou Justin Rockefeller, de 37 anos. “Quero continuar o legado da família e a melhor maneira é manter-me na interseção entre filantropia e capitalismo. O investimento com impacto dá continuidade a essas tradições de família, mas de uma forma nova”, adiantou.

Esse investimento com impacto significa que o investimento deverá ter um retorno social ou ambiental, bem como financeiro. Pode incluir desde micro-empréstimos a mulheres de negócios africanas a capital de risco para startups de energias limpas ou os mais tradicionais investimentos em obrigações ou ações de empresas cujos produtos fazem bem. Há quem diga que é o resultado da filosofia dos millennials no movimento.

“Os nossos avós queixam-se que não conseguem que os netos se sentem a aprender a ler resultados financeiros”, diz Justin Rockefeller. “Eu respondo que quero investir em empresas que acho que estão a tornar o mundo um lugar melhor e queixo-me que não consigo que os meus avós abandonem a perspetiva tradicional de investimento. O investimento com impacto é uma ponte para o diálogo entre gerações”, resume.

O investimento com impacto de Justin Rockefeller é numa empresa chamada Modern Meadow, que se dedica à criação de materiais naturais, incluindo pele biológica verdadeira criada em laboratório através de um processo completamente livre do uso de animais.

Liesel Pritzker Simmons e Ian Simmons. Foto: FT/Pascal Perich

Liesel Pritzker Simmons e Ian Simmons.
Foto: FT/Pascal Perich

Liesel Pritzker Simmons e o marido, Ian Simmons, herdeiros da fortuna dos hotéis Hyatt, estão convencidos que é possível dedicar 100% da carteira de investimentos ao investimento com impacto. Quando obteve acesso à fortuna da família, num processo judicial altamente mediático, há 12 anos, Liesel colocou o dinheiro numa empresa da família chamada Bluen Haven Initiative que está a ser usada para disseminar o investimento com impacto.

“Pensámos rigorosamente e prestámos muita atenção à rentabilidade ajustada ao risco neste tipo de investimento porque isto não é o nosso dinheiro de brincar.. é tudo”, disse Lielsel Pritzker Simmons.

Liesel e Ian estão a investir na M-Kopa, uma empresa que está a fornecer geradores a energia solar acessíveis a mais de 400 mil lares no Quénia, na Tanzânia e no Uganda.

Jason Ingle. Foto: FT/Pascal Perich

Jason Ingle.
Foto: FT/Pascal Perich

Jason Ingle é tataraneto e herdeiro do famoso Henry Ford, o empreendedor das fábricas de automóveis de Detroit. Criado numa quinta no campo, Jason diz que os “pais eram hippies e 90% de tudo o que comiam era criado na quinta”. Portanto, o ato de rebeldia do jovem herdeiro foi dedicar-se às finanças. Só quando passou a ter a sua própria família se voltou para o caminho de fazer bem com o dinheiro que possui e tornou a pensar na forma como a comida é produzida.

Fundou a Closed Loop Capital, um fundo que investe na inovação alimentar e na tecnologia aplicada à agricultura, com o objetivo de obter retorno financeiro. E não está sozinho. Bill Ford, o patriarca atual da família, detém um fundo próprio denominado Fontinalis, que se dedica ao futuro da mobilidade urbana.

“Só a filantropia não vai ser capaz de resolver os desafios macro significativos que enfrentamos, tais como alimentar 10 mil milhões de pessoas em 2050, a escassez de recursos ou a desigualdade”, diz Ingle. O jovem herdeiro de Ford está, por isso, a investir com impacto na empresa Beyond Meat, que se dedica a alternativas vegan à carne, incluindo o “hamburguer que sangra”, que parece, cozinha e sabe a carne de vaca.

Kevin e Elizabeth Phillips. Foto: FT/Pascal Perich

Kevin e Elizabeth Phillips.
Foto: FT/Pascal Perich

Kevin Phillips tinha 24 anos quando tomou as rédeas do grupo imobiliário da família (Phillips Management Group), localizado na antiga cidade têxtil de Greensboro, na Carolina do Norte. A mulher, Elizabeth, ficou responsável pela fundação da família na condição de 5% dos lucros anuais serem destinados a resolver os problemas sociais de Greensboro.

“Nem sabia que existia a expressão investimento com impacto. Só tinha o instinto de que podíamos fazer mais com os outros 95%, além do bem que fazemos com 5%. E se os 95% fossem investidos numa empresa que erradicasse os sem-abrigo”, questiona Elizabeth.

O casal está a investir na Akola, uma empresa que vende joalharia de luxo produzida por mulheres do Uganda e de Dallas.

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