África

Nogueira Pinto: Maputo enfrenta a batalha da credibilidade

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

O primeiro-ministro português, António Costa, e o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, reúnem-se amanhã na III Cimeira Portugal-Moçambique

O historiador português Jaime Nogueira Pinto considera que Moçambique enfrenta o desafio de ser visto como um “Estado de bem” depois das notícias de empréstimos estatais escondidos que afastaram os doadores internacionais.

“Eu acho que essa é a grande batalha que a classe política, e na classe política incluo a oposição, moçambicana tem de travar”, afirmou Jaime Nogueira Pinto, em entrevista à Lusa, na véspera de uma cimeira em Maputo que junta o primeiro-ministro português, António Costa, e o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi.

No que respeita às relações entre Portugal e Moçambique, o também empresário e consultor de segurança salientou que os portugueses têm grandes investimentos no país e que as relações amistosas entre os dois Estados têm facilitado a aproximação.

“Não há grandes paixões em relação a Moçambique, nem a favor nem contra. Enquanto em relação a Angola há sempre tensões fortes”, em “relação a Moçambique não há essa agressividade, nem a favor nem contra”, salientou.

A revelação de empréstimos escondidos de empresas estatais no valor de dois mil milhões de dólares abalou a credibilidade do país, afastou investidores e pressionou fortemente as contas públicas de Moçambique.

A “história política e financeira dos ‘ghost lones’ (empréstimos fantasma)” ainda está por fazer, considerou Nogueira Pinto, que pede um esclarecimento do processo.

Nesta matéria, o “avanço ou a paralisação” na transparência dos processos financeiros “tem muito a ver com o dar a volta nessa questão da confiabilidade e da confiança internacional, no sentido de resolver esse problema da credibilidade do país”, acrescentou.

Esses dois mil milhões de dólares, cujo destino ainda não está esclarecido, não ficaram apenas em mãos moçambicanas, disse acreditar.

“Eu acho que parte desse dinheiro das dívidas ocultas nem entrou nem em Moçambique nem nos moçambicanos”, mas “ficou nas comissões e nos bancos”, afirmou.

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