Norte concentra ninhos de indústrias criativas

A proliferação de empresas ligadas à cultura está a ser de tal forma expressiva, sobretudo a Norte, que várias instituições estão unidas para estimulá-las ainda mais e elevar o talento também à arte do negócio.

São já uma vintena as incubadoras de indústrias criativas, algumas já existentes e outras em fase de surgimento, o que significa estarmos a falar de várias dezenas de empresas. Só no Porto há seis “ninhos”, mas há estruturas idênticas na Maia, Matosinhos, Braga, Guimarães, Viana do Castelo, Vila Nova de Cerveira, Amarante, Santo Tirso, Paredes, S. João da Madeira e Santa Maria da Feira.

Só para se ter uma ideia do dinamismo, basta recordar que houve 300 projetos aprovados na região Norte deste tipo de empresas, que envolveram apoios e investimento público de 150 milhões de euros.

Crescem 12,3% acima da média da economia e representam 2,6% das exportações. O principal recurso é capital intelectual. Têm ganhos 20% superiores à média nacional, segundo um estudo de Augusto Mateus.

Apesar do êxito, na próxima terça-feira decorre no Porto uma conferência organizada pela Fundação Serralves, IAPMEI e ADDICT, destinada a “alinhar parceiros para criação de um ecossistema de apoio a empreendedores” e a criar as bases de um plano de ação setorial para os próximos anos.

“A maior parte dos projetos apresentados têm boas ideias mas falta convertê-las em negócio”, assinala Rita Seabra, coordenadora da área de empreendedorismo e criação de empresas do IAPMEI.

Para que um projeto chegue ao mercado e tenha sucesso, Rita Seabra defende a adoção de uma estratégia que atue em várias frentes, a cargo dos “agentes facilitadores da criação de empresas”, onde se incluem o próprio IAPMEI, municípios, incubadoras, associações empresariais e pessoas ligadas à educação escolar.

Falta, segundo Rita Seabra, uma teia de relações apta para incentivar a criação deste tipo de empresas, onde se ensine o “economês”. Essa teia teria de envolver, desde logo, professores da área académica; incubadoras tecnológicas; outros setores da atividade económica; parceiros internacionais; e municípios, já que, como diz Rita Seabra: “Os novos negócios podem reconfigurar a realidade das localidades”.

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