Imobiliário

Norte e Centro com 65,5% das novas habitações

Fotografia: Reuters
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Há 55 mil casas para construir em Portugal, mas os mediadores imobiliários garantem que não servem as necessidades do mercado e admitem que o mercado possa cair em 2019

Foram licenciados em Portugal, o ano passado, mais de 22 mil novos edifícios, a maioria dos quais para habitação familiar. O Norte lidera com 43,3% dos fogos licenciados em construções novas, seguido do centro. No conjunto, as duas regiões asseguram 65,5% dos novos licenciamentos para habitação. A Área Metropolitana de Lisboa representa 19,6% dos fogos que irão ser construídos. No total, garante a AICCOPN, a associação da construção, há 55 mil casas em construção ou em vias de arrancar, um número que não convence os mediadores imobiliários, que falam num desequilíbrio entre a oferta e a procura.

“O que está planeado vai demorar a aparecer no mercado e 80% desses fogos que estão planeados nem sequer respondem às necessidades do mercado. São habitações para mercado alto, quando a grande procura é da classe média e média baixa e dos jovens e para esses não vejo nada planeado”, diz o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). Estima-se que o sector tenha crescido 20 a 25% em 2018, mas Luís Lima acredita que, em 2019, o mercado imobiliário vai cair. Não por falta de clientes, mas por falta de casas.

“Há um enorme desajuste entre a oferta e a procura. E se isso já era evidente há dois ou três anos, agora é dramático”, refere este responsável. E explica: “No Porto, as pessoas procuram um T1 por 90 ou 95 mil euros ou um T2 até aos 120 mil euros. Onde é que eles estão? Não existem. E o problema é que os portugueses não podem pagar mais por eles. E isso reflete-se, claro, nas rendas que estão altíssimas. Um T1 deveria custar 300 ou 350 euros e não os há, nem sequer nos arredores, por menos de 500 ou 600 euros”.

Qual é a solução? “Ninguém pode obrigar ninguém a construir, tem de ser o Estado a fomentá-lo. E as autarquias, que têm terrenos disponíveis e podiam, por exemplo, pô-los à disposição de promotores para construírem habitação para rendas de 300 euros, porque não? É preciso reeducar-se o mercado para baixar os preços novamente”, defende Luís Lima, que garante “há dois anos” que os responsáveis do sector vêm alertando o Governo para a urgência de medidas. “Lisboa e Porto estão a procurar criar oferta, mas está a demorar demasiado”, considera.

Uma coisa é certa. Não se fale em bolha imobiliária em Portugal porque o problema não é esse, garantem construtores e mediadores. “O que se vive em Portugal é precisamente o inverso de uma bolha imobiliária. Não há excesso, há é falta de casas no mercado e mais de 60% das habitações que se vendem nem sequer é com recurso a crédito”, diz Luís Lima. O presidente da APEMIP defende mesmo que os preços das casas já começam a chegar a um nível tal que “não têm grande margem para continuar a subir”.

Reis Campos, presidente da AICCOPN, concorda. “Não faz sentido nenhum falar em bolha imobiliária. Para isso era preciso que o país todo tivesse crescido desmesuradamente, o que não é verdade. Não podemos comparar o desequilíbrio dos centros históricos de Lisboa e Porto, uma realidade muito localizada, com o resto do país, onde 80% dos concelhos têm ainda os preços do imobiliário abaixo dos valores de 2007”, argumenta.

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