Energia

Nova interligação elétrica com Marrocos custará 700 milhões de euros

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A REN tem agora cerca de sete meses, até ao final de 2018, para apresentar o seu anteprojeto de construção e modelo de financiamento para o projeto.

O secretário de Estado da Energia, Seguro Sanches, e o ministro marroquino da Energia, Minas e desenvolvimento Sustentável, Aziz Rabbah, assinaram esta quarta-feira em Rabat uma declaração conjunta entre os governos dos dois países para operacionalizar a construção da futura interligação elétrica entre Portugal e Marrocos.

A obra exigirá um investimento estimado de 700 milhões de euros (acima dos 400 milhões avançados anteriormente), a repartir entre os dois países e sem impacto para os consumidores, sendo pago sobretudo com a importação e exportação de eletricidade, especialmente de origem renovável, tal como já havia referido o secretário de Estado da Energia. Este acordo surge na sequência da recente conclusão do estudo técnico-financeiro, por parte do consórcio Det Norske Veritas, o qual aponta para a viabilidade do projeto.

Com este acordo, a REN – Redes Energéticas Nacionais, pela parte portuguesa, e a ONEE – Office National de l’Electricité et de l’Eau Potable, pela parte marroquina, ficam mandatadas “para que até ao final do ano apresentem uma proposta de anteprojeto de construção e modelo de financiamento para a construção da interligação Portugal-Marrocos, com base nos resultados do estudo de viabilidade técnico-económico da interligação Marrocos-Portugal”, pode ler-se no documento. Ambas as empresas concessionárias da gestão das redes elétricas de Portugal e Marrocos têm assim até ao final de 2018 para apresentarem as suas propostas.

Recentemente, na apresentação do plano estratégico da empresa até 2021, no Capital Markets day em Lisboa, a REN sublinhou precisamente a interligação elétrica com Marrocos como um dos novos projeto de expansão da rede. No evento, a REN revelou ter uma margem de até 400 milhões de euros para investir em “novas oportunidades adicionais de crescimento” até 2021, além do intervalo previsto de entre 480 e 580 milhões de euros, disse o presidente executivo, Rodrigo Costa. “Temos um intervalo médio ano a ano durante os próximos três a quatro anos [entre 120 e 145 milhões de euros]. Os 400 milhões são uma disponibilidade natural para investir fora desse investimento normal em novas oportunidades adicionais de crescimento”, disse o CEO.

Em relação à interligação com Marrocos, a REN tem agora pouco mais de meio ano para apresentar o seu projeto de construção e modelo de financiamento. Além disso, tanto a REN como a ONEE deverão articular-se com a DetNorske Veritas Portugal, a empresa responsável pela execução do “Estudo de viabilidade da interligação elétrica entre a República Portuguesa e o Reino de Marrocos”, com vista à troca de informações técnicas no âmbito do estudo técnico de viabilidade da interligação elétrica entre ambos os países.

Diz a declaração conjunta assinada hoje que deverá também ser criado um Grupo de Trabalho, composto por três representantes (“que cada signatário, respetivamente, indicará), que reunirá mensalmente, para análise do progresso de apresentação da proposta de anteprojeto de construção e de modelo de financiamento para a construção da interligação elétrica Portugal-Marrocos.

Esta interligação com Marrocos permitirá a Portugal, numa fase inicial, potenciar a exportação de energia renovável e, em simultâneo, garantir flexibilidade e segurança de abastecimento e reforçar a competitividade da economia nacional.

Em entrevista ao Dinheiro Vivo, o ministro marroquino da Energia, Minas e Desenvolvimento Sustentável, Aziz Rabbah, tinha já garantido que que o reino do norte de África está a apostar todas as suas cartas na futura parceria com Portugal para quebrar a atual dependência energética face a Espanha. “Veremos qual o melhor business plan para os dois países. Claro que se trata de um grande investimento e muitas empresas dois dois países estarão envolvidas no projeto de interconexão futura. Se tudo correr bem, no final do ano teremos uma visão mais clara sobre o futuro”.

Quanto ao valor do projeto, Seguro Sanches admitiu por seu lado “vários cenários alternativos, mas o montante não será pago pelos consumidores mas sim pela energia que é transportada de um lado para o outro”.

 

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