Nova poupança desaparece e consumo já leva 96% do rendimento

Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho
Maria Luís Albuquerque e Pedro Passos Coelho

As famílias portuguesas estão a cortar na poupança, que caiu para um dos níveis mais baixos de sempre, ao mesmo tempo que canalizam a esmagadora maioria do rendimento disponível para consumo (95,8%), mostram dados do INE relativos ao primeiro semestre deste ano.

De acordo com cálculos do Dinheiro Vivo, a taxa de poupança caiu para 4,5% do rendimento disponível no primeiro semestre. É preciso recuar até ao ano da grande crise financeira (primeiro semestre de 2008) para encontrar um registo parecido, mas ligeiramente mais fraco (4,3%). As séries do INE com os agregados sectoriais (País, Estado, famílias, empresas, bancos e resto do Mundo) remontam a 1999.

Esse ano de 2008 coincidiu com o rebentamento da crise financeira global (subprime) que arrasou com os bancos e, por arrasto, com os Estados que seguraram os sistemas financeiros nacionais através de ajudas e nacionalizações bancárias.

Os dados do INE mostram que as famílias portuguesas voltaram ao seu modo de vida tradicional, gastando quase todo o rendimento em consumo e dedicando cada vez menos valores à poupança.

Consumo explode, rendimento mais vagaroso

No primeiro semestre, o rendimento disponível cresceu ligeiramente (mais 1,6% no segundo semestre face ao mesmo período de 2014, para 60,6 mil milhões de euros), ao passo que o consumo engordou 3,7% em termos nominais, o ritmo mais elevado desde finais de 2010, estava Portugal em queda livre em direção ao resgate.

Só para se ter uma noção, o rendimento disponível só supera as despesas de consumo em apenas 2,5 mil milhões de euros, o segundo valor mais baixo das séries.

Poupança colapsa 28% na primeira metade de 2015

A poupança caiu de forma violenta (menos 28%) na primeira metade deste ano. As famílias só conseguiram aforrar 2,7 mil milhões de euros, um mínimo que apenas é vencido em 2008 (2,6 mil milhões no primeiro semestre desse ano).

Como tem ficado patente nas diversas análises de conjuntura (Banco de Portugal, Governo, Comissão Europeia, INE), a economia está a ser maioritariamente puxada pelo consumo interno, o que tem feito subir as importações, desequilibrando outra vez a economia.

Os portugueses gastam agora 96% do que ganham em consumo, valor equiparável aos 96,1% da primeira metade de 2008, ano do colapso do Lehman Brothers (e do BPN em Portugal).

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