Nova SBE

Nova SBE: Pública, financiada por privados e aberta a todos

NOVA SBE, em Carcavelos.
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)
NOVA SBE, em Carcavelos. (PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Próxima da comunidade e com forte ligação às empresas, à inovação e à sociedade nacional e internacional, mais do que ensinar, a Nova SBE quer dar aos alunos instrumentos que lhes permitam enfrentar os novos desafios e impactar o mundo. A escola do futuro, para as novas gerações, como descrevem o dean e o presidente da fundação que lhe dá base, numa conversa com o DV.

CIP e Nova SBE criam Observatório para a Requalificação Profissional ReSkill Hub para mapear as necessidades de requalificação decorrentes da automação em Portugal. Pingo Doce abre primeira Lab Store, uma loja sem dinheiro físico, no campus de Carcavelos. Mercer e Nova SBE assinam parceria para juntar metodologias e rede internacional da consultora ao conhecimento académico. Schréder escolhe Carcavelos para instalar o polo de inovação de smart cities Hyperion, que concentra metade do investimento da líder mundial em iluminação pública. Nova SBE é a melhor business school em Portugal, número 30 do mundo em gestão, a 21.ª em finanças e a 23.ª melhor a formar executivos.

São notícias das duas últimas semanas e permitem ter uma noção do fervilhar de ideias e projetos que ao fim de um ano no novo campus não dá sinal de abrandar. 42 anos depois de fundada por Alfredo de Sousa e há um em Carcavelos, “a Nova SBE é uma escola muito mais internacional, muito mais aberta e com mais impacto. Mas também muito mais exigente”, descreve o dean, Daniel Traça, reconhecendo como a sua casa mudou, face ao tempo em que era aluno. Uma mudança que excede largamente o universo da Nova e marca o arranque de uma nova era da Universidade como instituição: quem continua preso ao modelo rígido, fechado e distante viverá pouco.

“O que distingue este projeto é o pioneirismo de nascer de uma aliança entre uma escola pública e o conjunto de empresas e pessoas que pertencem à iniciativa privada; mas também da identificação das carências do nosso sistema de educação, da necessidade de um projeto que recupere rapidamente o tempo perdido na preparação para as mudanças atuais da sociedade e da economia”, resume Nuno Fernandes Thomaz, presidente da Fundação Alfredo de Sousa (fundador e primeiro reitor da Nova SBE).

“O financiamento privado pode ajudar nos investimentos, cruciais para as universidades modernas, mas o mais importante para a escola do futuro é a visão, o empenho, a ousadia. Temos de nos abrir, desafiar, inovar, criar impacto. Queremos ser a Escola do Futuro”, reforça Traça. “Porque nascemos assim, mas essencialmente porque o mundo precisa de ideias e talento aptos a criar esperança face aos desafios da tecnologia, globalização, desigualdade e sustentabilidade.”

O desenho é simples. E não é que a ideia seja complexa – uma escola aberta ao mundo, próxima das comunidades, ligada às empresas e à economia real, em que a aprendizagem se faz em todos os momentos, formatos e direções, que estimula a inovação e a paixão dos jovens e lhes dá os instrumentos essenciais para fazerem a diferença no mundo moderno. Mas assumir a disrupção sem fraquejar e conseguir construir este modelo mobilizando público e setor privado a trabalharem em conjunto, mantendo laços fortes com a comunidade em que está inserido e com fidelidade à fundação que lhe estabeleceu as bases, tinha muito por onde correr mal.

Hoje, é difícil pensar como era o país antes desta Nova School of Business & Economics, instalada nos 90 mil m2 projetados em transparência por António Barreiros Ferreira e Vítor Carvalho Araújo a poucos passos do mar. Um campus que é único também por ter nascido da campanha de fundraising à qual responderam grandes empresas e personalidades portuguesas – incluindo Soares dos Santos, Santander e grupo Mello (ver caixas). É “uma verdadeira PPP”, demonstrando, nas palavras do presidente da Câmara de Cascais, como a “cooperação entre público e privado é capaz de criar tanto valor ao país”.

Em tudo isto, a fundação a que Alfredo de Sousa deu nome tem um papel fundamental. Instituição privada com um papel-chave na faculdade, serve ainda para garantir que a gestão mantém a abordagem dinâmica. “O que moveu e continua a mover a Fundação Alfredo de Sousa é a necessidade de um conjunto de empresas e pessoas de dotar o país de um projeto que responda às imposições de um mundo em acelerada transformação: a exigência de uma cultura e prática constantes de inovação, a criação das condições necessárias à formação de talento, a interação com o mundo das empresas, a abertura total à comunidade local, nacional e internacional”, explica o presidente, Nuno Fernandes Thomaz.

Completo o campus, é tempo de arrancar com aquilo que o responsável vê como a fase decisiva: provar a capacidade de se desafiar permanentemente de forma a dar “a melhor preparação aos alunos para as realidades altamente concorrenciais e em constante mutação”. E isso também passa pela abertura de espaços próprios para, “sem invasão da esfera pedagógica e académica, receber projetos de inovação tecnológica, aperfeiçoar knowledge centers e, no fundo, desenvolver um software ambicioso na escola”.

Esse lado da inovação e da multiplicidade de conteúdos e possibilidades é um dos aspetos mais atrativos da Nova SBE e tem ajudado – ainda que também a praia ao lado pese, bem como equipamentos que incluem residências de estudantes, lojas, restaurantes, ginásio, campo de ténis, etc. – a captar estudantes de todo o mundo. Mais de um terço dos alunos da Nova SBE vêm de fora, de 70 países (os cursos são em inglês). “A frequência de estrangeiros e o número crescente de candidaturas são prova de qualidade”, interpreta Fernandes Thomaz. Por outro lado, o campus ganha força por ter em si as empresas.

“O modelo de funcionamento entre a Nova SBE e a Fundação Alfredo de Sousa agiliza a capacidade de relacionamento com empresas, fundações e outros elementos da sociedade civil”, diz Daniel Traça. “Temos na Nova SBE as empresas e as suas áreas de inovação, os alunos já não precisam de sair da escola para as conhecer. Essa aproximação é uma urgência da nossa época.” Os jovens de hoje são diferentes, “querem mundo, abertura, diálogo, experiências, desafios e, sobretudo, descobrir o seu propósito”, reconhece o dean, que todos os meses faz pequenos-almoços com alunos para se manter a par das suas ambições. “Cabe às universidades compreender estas mudanças e adaptar-se, quer em termos académicos e da experiência de ensino quer enquanto espaço que proporciona um ecossistema enriquecedor.”

Para Fernandes Thomaz, “sendo bons à entrada, os jovens serão melhores à saída, pelas qualificações científicas e pré-profissionais adquiridas, mas também pela formação de cidadania e orientação ética para o bem comum que a escola lhes dá, e a Fundação incentiva”.

“O campus foi um projeto pioneiro que nos permitiu posicionar-nos e diferenciar-nos face a outras escolas na Europa. A casa deu-nos o hardware. Cabe-nos continuar a construir o software. E maximizar a interação entre alunos, professores, investigadores e parceiros com a comunidade, conhecendo e aprendendo com outros alunos, professores, empresas, até vizinhos de Carcavelos”, diz Daniel Traça.

Em resultado dessa postura de querer chegar longe e influenciar o mundo, a Nova SBE abraça um leque de projetos que pretendem ajudar a responder aos desafios da sociedade. É disso exemplo a iniciativa única do Inclusive Community Forum que servirá de modelo a uma abordagem aos grandes desafios da humanidade, mas também o NovAfrica, knowledge center inspirado pelas metodologias da equipa que acaba de receber o Nobel da Economia, que tem produzido investigação de ponta com impacto em Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Cabo Verde. “Queremos que a investigação alicerçada nos nossos knowledge centres tenha não apenas impacto académico mas faça a diferença na sociedade.”

No fim do dia, qual seria o traço que Nuno Fernandes Thomaz gostaria que fosse reconhecido aos alunos da Nova SBE? “Que não pretendam ser os melhores do mundo, mas os melhores para o mundo que os espera.” Quanto a Daniel Traça, dean até 2022, “gostava de deixar uma escola inovadora, capaz de trazer novas abordagens e soluções ao mundo e às novas gerações – a escola do futuro, capaz de desenvolver talento com conhecimento e competências, paixão, resiliência e sentido de propósito, para impactar o mundo”.

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