Trabalho

Novas gerações dão prioridade a condições de trabalho flexíveis

Jovens a estudar

Estudos apontam que mais de mil milhões dos trabalhadores irão tornar-se "trabalhadores flexíveis" até 2035.

Pensar que ainda existem trabalhos para a vida é uma ilusão nos dias que correm. A evolução digital veio dar origem a novas necessidades empregos. Plataformas como a Uber, Airbnb ou Glovo já estão a dominar o mercado de trabalho. Em Portugal, 15,6% dos profissionais já trabalham para estas plataformas, de acordo com dados da Comissão Europeia.

“Hoje é fácil termos cinco trabalhos ao longo da nossa vida”, diz Ricardo Marvão, responsável da SingularityU Portugal, a primeira instituição no país que ensina líderes a lidar com as novas tecnologias. Tendência que prevê continuar a crescer porque “em primeiro, a tecnologia dá asas a novos tipos de interação e profissões, mas também porque tudo vai andar mais rápido e mais conectado”.

A flexibilidade que advém da digitalização permite aos trabalhadores exercer a sua profissão em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora e com quem quiserem. “O trabalhador acaba por valorizar mais a experiência pessoal e acreditar que está a criar valor em relação às carreiras tradicionais”, defende Ricardo Marvão, que adianta que já existem previsões que apontam que mais de mil milhões dos trabalhadores irão tornar-se “trabalhadores flexíveis” até 2035.

Contrariando a ideia preconcebida de que estes trabalhos podem dar origem a uma perda de direitos dos trabalhadores, o responsável defende que “não se trata de uma perda, mas sim a uma adaptação a uma realidade em constante mudança”. Ricardo Marvão acredita ainda que as gerações mais novas dão cada vez mais importância às condições de trabalho flexíveis.

Sobre a noção de carreira que acaba por se perder com estes novos empregos, o responsável da SingularityU é claro: “Há que repensar o nosso sistema educativo e capacitar a sociedade para saber lidar com estas transformações. É essencial que as instituições de ensino se foquem nas soft skills que realmente diferenciam os humanos: curiosidade, imaginação, criatividade, inteligência emocional, pensamento crítico e colaboração são essenciais”.

“Precisamos de parar de produzir ‘tarefeiros’ e desenvolver mais estas soft skills já muito presentes nos novos líderes, inovadores e empreendedores. Precisamos de incentivar a aprendizagem, a resolução de problemas complexos e a importância de arriscar, pois é a única maneira da geração futura continuar relevante no mercado de trabalho”.

 

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