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Novas regras na banca arrancam com alguns percalços e dúvidas

Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens
Fotografia: Leonel de Castro/Global Imagens

Na CGD, o acesso à conta bancária através do telemóvel voltou a ter falhas. E choveram pedidos de informação sobre cartões-refeição

As novas regras de serviços de pagamentos em vigor desde sábado geraram alguns percalços e deixaram clientes com dúvidas sobre as mudanças nos seus pagamentos.

O incidente mais visível ocorreu na Caixa Geral de Depósitos (CGD), com clientes a não conseguirem aceder às suas contas através do telemóvel ou tablets. O problema ocorreu no sábado e foi resolvido no próprio dia. Mas voltou a haver falhas nos acessos às contas durante a manhã de ontem. A explicação para o problema técnico estará no elevado número de clientes do banco que tentaram aceder às contas em simultâneo, apurou o Dinheiro Vivo. O banco público tem cerca de 2,5 milhões de clientes com o acesso ativo à banca online, sendo líder de mercado. Nos restantes bancos, não se terão registado problemas até ao momento.

Cadernetas mudam
As novas regras, que resultam da entrada em vigor em Portugal – com atraso – de uma diretiva comunitária, exigem medidas de segurança reforçada nos acessos às contas e nos pagamentos.

Os clientes dos bancos que apenas tinham cadernetas bancárias para levantar ou transferir dinheiro foram os mais atingidos. As cadernetas só podem agora ser usadas para consulta de saldo e movimentos. Isto porque as cadernetas têm banda magnética, que é facilmente replicável, e não cumpre os requisitos de segurança agora exigidos.

Apenas três bancos ainda têm cadernetas: CGD, Montepio e Crédito Agrícola. No caso da CGD, o banco público informou que notou um aumento dos pedidos de adesão à Conta Caixa, que cobra uma única comissão por um pacote de serviços. A Conta Caixa tem várias modalidades com comissões anuais entre os 24 e os 168 euros.

O banco disponibilizou um cartão de débito gratuito no primeiro ano para os clientes que não tinham alternativa à caderneta.

Cerca de 290 mil clientes da CGD usam caderneta, embora a maioria já tenha cartões de débito.

Cartões-refeição
As novas regras de segurança reforçada não se aplicam em alguns casos, como nos cartões-refeição ou pagamentos Via Verde e pagamentos de baixo valor, como nas portagens. Mas choveram pedidos de informação nos centros de apoio aos clientes das empresas de cartões-refeição. Segundo a associação que representa o setor – a EBFS -, “de manhã [de ontem] dispararam os pedidos de esclarecimento e dúvidas sobre se ainda era possível continuar a pagar com os cartões-refeição ou se tinham acabado”.

Tirando este caso, não se registaram muitos mais pedidos por parte de clientes bancários. À Deco não chegaram sequer uma dezena de contactos com pedidos de informação durante o dia de ontem. E a Associação para a Defesa do Consumidor não recebeu queixas.

Ao Banco de Portugal também não chegaram perguntas nem queixas devido às novas regras.

O supervisor já recebeu quatro pedidos de empresas que querem aceder às contas dos clientes dos bancos – com a sua autorização – e começar a prestar serviços de informação de contas e a efetuar pagamentos.

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