Orçamento suplementar

Novo Banco. Ministro das Finanças também ficou “estupefacto”

O ministro de Estado e das Finanças, João Leão. NUNO FOX/LUSA
O ministro de Estado e das Finanças, João Leão. NUNO FOX/LUSA

O ministro das Finanças aposta numa recuperação rápida depois da maior queda da atividade económica das últimas décadas.

O ministro das Finanças confessa que também ficou “estupefacto” com as declarações do presidente do Novo Banco sobre a necessidade de mais capital por causa dos impactos da pandemia de covid-19.

“Estupefacto? Estamos estupefactos e consideramos as declarações [do presidente do Novo Banco] extemporâneas”, respondeu João Leão ao deputado do PSD Duarte Pacheco que falou do “elefante no meio da sala” numa referência ao banco herdeiro do BES. “O Presidente da República disse que estava estupefacto com uma nova injeção. E o senhor ministro das Finanças? Também está estupefacto””, questionou o deputado social-democrata, no debate sobre o Orçamento do Estado Suplementar (OES2020) esta quarta-feira, no parlamento.

A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, o deputado do PCP, Duarte Alves e a deputada do CDS, Cecília Meireles, voltaram à questão do Novo Banco e para quando e se haveria nova injeção de capital. O ministro João Leão garantiu que o Orçamento Suplementar não prevê qualquer verba e que a auditoria pedida pelo Governo será conhecida no mês de julho.

A deserção de Centeno e a recuperação rápida
O debate aqueceu com o PSD a acusar o ex-ministro das Finanças de desertar. “Estamos aqui à procura de soluções ao contrário do seu antecessor que desertou à procura de interesses pessoais”, atirou o deputado Duarte Pacheco que apontou a “opacidade” do Orçamento Suplementar, também assinalada pela UTAO.

O parlamentar social-democrata indicou depois o “otimismo” das Finanças face às previsões mais recentes para a economia portuguesa, em concreto do Banco de Portugal. “As previsões vindas a público indiciam que a situação pode ser mais grave”, apontou Duarte Pacheco, questionando o ministro sobre as soluções que tem em vista. “Mantém a meta do défice, através de cativações”?, perguntou o deputado social-democrata.

O ministro garantiu que deixará os estabilizadores automáticos funcionar tendo em conta os impactos da crise, afastando qualquer “rigidez” na interpretação da meta do défice.

Na intervenção inicial, na abertura do debate do OES2020 o recém-empossado ministro mostrou-se confiante numa rápida recuperação ao contrário do que aconteceu com a anterior crise financeira. “Estou convicto de que quando esta crise estiver ultrapassada, vamos mais rapidamente do que na anterior, conduzir de novo o país para um caminho de confiança, crescimento e sustentabilidade”, afirmou João Leão.

Mas além da diferença na recuperação, o titular das Finanças identifica outras. “É um Orçamento Suplementar diferente de outros orçamentos retificativos porque não impõe cortes na despesa nem aumento de impostos”, indicou o governante, acrescentando que “pelo contrário, financia um conjunto de medidas excecionais que visam constituir maior estabilidade”, frisou.

Notícia atualizada às 16h15

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