Coronavírus

Novos apoios para as pescas são “uma brincadeira”

Manuel Marques, pescador e armador.
(Amin Chaar / Global Imagens)
Manuel Marques, pescador e armador. (Amin Chaar / Global Imagens)

Pescadores lamentam medidas que não respondem aos seus problemas no contexto de covid-19.

São 2 milhões de euros do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas, a que acresce a respetiva contrapartida pública nacional, num total de 2,7 milhões de euros, para ajudar um setor que tem sido especialmente afetado pela pandemia.

Mas está muito longe dos instrumentos que ainda há uma semana os pescadores pediam, para continuar a sair para o mar e a garantir a sua subsistência. “Acho uma brincadeira”, reage Manuel Marques, pescador e armador da Póvoa do Varzim.

A legislação especial que o governo aprovou agora para o setor da pesca e da aquicultura, no contexto da covid-19 tem recurso ao Programa Operacional Mar 2020 e cria “linhas de apoio destinadas especificamente a operações que visem a adoção de medidas de prevenção, deteção e mitigação de contágio pelo novo coronavírus, nomeadamente aquisição de equipamentos e materiais de proteção individual, de desinfeção, bem como de testes de despistagem do vírus, por forma a contribuir para o exercício dessas atividades económicas em condições de segurança”, anunciou hoje o ministro do Mar.

Para aceder a estes apoio, os operadores do setor – armadores e pescadores, entidades responsáveis pela primeira venda de pescado e associações de pescadores, aquicultores e empresas de transformação de pescado – podem submeter as candidaturas através do site criado para o efeito já a partir de amanhã e até dia 20 de abril.

“Há muitos anos que nós, associações, andamos a pedir para abater as embarcações obsoletas e remodelar a nossa frota que é das mais fracas e antigas da Europa, talvez do mundo, e não obtemos respostas à altura. Agora vamos fazer o quê, acha que dá tempo a fazer alguma coisa?”, questiona Manuel Marques.

Para o pescador e armador da Póvoa de Varzim, a única solução é mesmo “parar; e no fim disto, aí sim, remodelarmos a frota”.

Ainda na semana passada, os pescadores incluíam, nas medidas que podiam ajudar nesta fase, na ativação do fundo de compensação salarial dos profissionais da pesca – anunciado depois do Conselho de Ministros há quase duas semanas, envolvendo 350 mil euros. “Com esse subsídio e o pouco que se ganha hoje no mar, era possível equilibrar um pouco as contas e garantir a subsistência das famílias”, defendia então Manuel Marques, alertando para a falta de condições nas embarcações mas também para os obstáculos à venda na lota, onde os preços caíram a pique.

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