Número de portugueses com fome aumenta

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O número de portugueses que passam um dia inteiro sem comer quaisquer alimentos por falta de dinheiro está a ementar, indica estudo elaborado pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome e a ENTRAJUDA, em parceria com a Universidade Católica Portuguesa.

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Segundo esta análise, em 2013 (dados entre setembro de 2012 e janeiro de 2013), 39% dos portugueses referiram que tinham passado um dia inteiro sem ingerir quaisquer alimentos por falta de dinheiro, enquanto em 2010 (ano do primeiro estudo), esta percentagem andava nos 27%.

Também em 2013 apenas 23% dos inquiridos dizem ter dinheiro para comprar comida até ao final do mês e em 2010 este valor era 49%. Os que dizem não ter dinheiro para comer até final do mês totalizam 37% e 40% referem que tal acontece “às vezes”, num mês.

Diariamente, refere a análise, 26% dizem ter tido falta de alimentos ou sentido fome alguns dias por semana, nos 6 meses prévios ao inquérito, e 14% referem que tal aconteceu pelo menos um dia por semana.

No estudo exploratório, conduzido em 2010, cerca de 16% dos portugueses disseram ter tido falta de alimentos alguns dias por semana e 11% pelo menos um dia por semana.

Em 52% dos agregados familiares o valor total auferido por mês é inferior ao salário mínimo nacional, sendo que 23% das famílias auferem menos de 250 euros, 29% entre 251 euros e 400 euros e 26% mais de 500 euros.

Os agregados familiares com menores rendimentos correspondem a inquiridos mais velhos, com menos escolaridade e com agregados familiares mais pequenos. Aqui, o retrato não mudou em relação à verificada em 2010.

Em 32% dos casos o rendimento provém do trabalho, o que não invalida a existência de outros apoios sociais a complementarem o rendimento total das famílias. Em 40% dos casos, o rendimento provém de reformas/pensões.

O mesmo estudo refere ainda que a habitação (69%) e a alimentação (66%) são as duas maiores despesas, seguidas das despesas com a saúde (39%). Despesas semelhantes às encontradas em 2010, no estudo exploratório.

Mais de metade dos inquiridos (53%) refere gastar, por mês, com a casa (renda da casa/ empréstimo, água, luz, gás) até 250 euros e cerca de um quarto gasta cerca de 251 euros a 400 euros mensais com a casa.

A família assume-se como a principal
fonte de ajuda (53%), “com os amigos/vizinhos a apresentarem,
igualmente, valores bastante significativos”, refere o estudo. Os respondentes procuram
a família, amigos ou vizinhos essencialmente para ajuda alimentar ou
financeira.

O apoio alimentar, seja na forma de
cabazes ou refeições, é a principal área em que os inquiridos
recebem ajuda (86% dos casos).

Em 51% dos casos, os inquiridos
recorrem a instituições de solidariedade social. Quem o faz tem um nível de rendimento mensal do agregado
familiar mais baixo, é velho, com destaque para o grupo dos
adultos (41-65 anos), e reformados ou desempregados.

Entre aqueles que procuram uma
instituição de solidariedade social, cerca de 59% fá-lo há menos
de 2 anos.

No fim, 82% dos inquiridos respondem que hoje
se sentem pobres. “Este sentimento de pobreza subjetiva subiu em
relação ao último inquérito em dez pontos percentuais”, refere os estudo, apontando o grupo dos mais jovens que se sentem mais pobres do que no inquérito
anterior.

No estudo, com o objectivo de conhecer melhor a situação das pessoas apoiadas pelas Instituições de Solidariedade Social. obtiveram-se 2.209 inquéritos válidos, provenientes de 242 instituições de solidariedade social.

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