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Nuno Fernandes Thomaz: “A direita não deve excluir alianças. Mesmo com o Chega”

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O gestor e ex-administrador da CGD defende que "a direita não deve excluir alianças. Mesmo com o Chega".

Nuno Fernandes Thomaz é presidente da Centromarca, que representa as empresas com produtos de marca. Entre outros cargos, já foi vice-presidente da CGD.

Está quase a entrar em vigor o novo regime jurídico das práticas individuais restritivas do comércio (PIRC), que tenta eliminar as vendas com prejuízo e práticas abusivas. A Centromarca já aplaudiu o diploma. Quais são as vantagens desta nova lei?
Trata-se de dotar de meios as autoridades competentes, como a ASAE, de forma a poderem estar em cima de práticas abusivas. Falou das vendas com prejuízo: do que foi tratado no diploma, que se trata da atualização das PIRC, o mais importante e que festejamos são os débitos unilaterais.

Que na prática são o quê?
Alguns operadores de retalho foram buscar dinheiro à conta corrente dos fornecedores de forma quase ilícita. Com a lei isso acaba.

Isso para cobrar faturas numa altura que se calhar não era a certa para o fornecedor.
Ou coisas que nem tenham dado lugar a existir. De todas as práticas abusivas, esta era a mais aberrante. Espero que com este diploma se tenha de uma vez por todas caminhado no sentido de evitá-la. Para a Centromarca foi uma vitória. Para o objetivo da Centromarca, que tem como associados os fabricantes de produtos de marca, foi muito importante caminhar neste sentido. Gostaria de deixar uma nota importante que é a sensibilidade que o governo mostrou ao legislar neste sentido, de forma a termos relações comerciais mais justas e equilibradas.

Mas estas situações abusivas são prática corrente ao ponto de distorcer o mercado?
Claramente. E é fácil perceber porque existem. Decorrem de uma relação assimétrica de força entre distribuidores e fornecedores. Os distribuidores são muito maiores. Mesmo tratando-se de um fornecedor grande, um cliente como um retalhista significa 40% das vendas. Já o inverso significa 1%. É uma relação assimétrica e dela surgem as práticas abusivas.

Quando falamos de distribuidores no caso do retalho podemos estar a falar, por exemplo, da Sonae com o Continente, ou da Auchan… ou são muitas vezes pequenas empresas, familiares, que muitas vezes dependem em larga medida das encomendas de um único fornecedor?
Isso é verdade, mas estamos a falar sobretudo de um mercado com um grau de concentração muito grande, bastante desequilibrado em relação aos nossos congéneres europeus.

É um grau de concentração excessivo quando comparamos com Espanha e outros mercados?
Claramente. Na ordem dos 60%. Quase um duopólio entre a Sonae e a Jerónimo Martins, se somarmos as várias insígnias das duas cadeias.

Este ano entrou na Autoridade da Concorrência (AdC) um processo que acusou as cervejeiras e os hipermercados de combinar preços. Houve outro caso envolvendo uma empresa de bebidas espirituosas. Estas situações serão a ponta do iceberg que ainda estamos a conhecer?
Não diria isso. Apraz-me dizer que registamos com agrado uma Autoridade da Concorrência mais interventiva, somos favoráveis a uma concorrência leal e primamos por todos os operadores viverem de acordo com as regras em vigor.

Mas a avaliação é positiva?
É positiva.

Vídeo. Entrada da Mercadona vai levar a “maior pressão sobre os fornecedores”

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Com mais um concorrente no mercado, a Mercadona, espanhola, e com os portugueses a comprarem determinadas categorias só em promoções, vamos assistir mais a esta estratégia das promoções, encolhendo as margens dos fabricantes das marcas que a CM representa? É isso que vai acontecer daqui para a frente?
Daqui a um tempo poderemos ter mais certeza. O retalho tem vivido nos últimos três/quatro anos um revigoramento no que toca ao volume de vendas, pelo consumo. Temos também assistido à abertura de novas lojas, à reconfiguração de espaços e entrada de operadores. A Mercadona é líder incontestável em Espanha, tem um volume de negócios maior do que o de todos os operadores de retalho em Portugal. Dito isto, as lojas do retalho moderno dos grupos portugueses são muito boas, comparam bem com os standards internacionais. Há muitos players que vêm conhecer o modelo de negócio da Sonae e da JM, porque de facto são boas lojas onde existe uma boa experiência de compra. A Mercadona teve uma campanha de comunicação e de relações públicas tão forte que leva a pensar que já tem muitas lojas, mas só tem cinco, quando os concorrentes têm centenas. E a aventura da internacionalização da Mercadona começa aqui, eles têm um modelo em que apostam muito nas suas marcas brancas.

Têm uma regra que obriga a que mais de 50% do sortido tem de ser marca própria. E isso lança um desafio às marcas, aos produtores… Como é que isso preocupa a Centromarca?
É 70/30. E depois tem uma eficiência brutal em termos logísticos e operacionais. É por isso que são reconhecidos. Mas estamos num mercado que não vai aumentar. O que se vai tratar é de dividir o mesmo bolo por mais fatias e vai levar a maior pressão sobre os fornecedores, é isso que temos de ir gerindo e monitorizando. Mas gostava de lembrar uma característica do consumidor português: em cada 100 euros de compras, o consumidor português compra 48 euros em promoção. Somos altamente dependentes das promoções, a chamada promodependência. E gostamos de comprar marcas brancas, eu vejo isso lá em casa.

Vamos ter uma “mercadonização” do mercado português?
Não, a Mercadona tem um modelo contrário à promoção.

Mas tem de marcas próprias…
Mas não vende através de promoções, vende através do que chamam uma política de every day low price, vamos ver como vai evoluir em Portugal, um mercado muito competitivo, com operadores de grande qualidade. Eles são muito fortes nas marcas brancas. A consequência para os fornecedores é que vão ter menos espaço nas prateleiras, o sortido é mais curto nesta cadeia.

E o que é que o presidente da Centromarca pode dizer aos associados? Como é que se devem preparar para o futuro, para enfrentar este fenómeno?
Estamos a trabalhar no sentido de ter produtos cada vez melhores. Os produtos de marca são os que investem em inovação, não são as marcas brancas, e inovação é algo que o consumidor procura sistematicamente. Isso e ir monitorizando o comportamento dos consumidores ao longo do tempo, sobretudo nos próximos meses.

O malparado continua a ser o grande problema do sistema financeiro português. O mecanismo criado pelo governo serviu para alguma coisa?
O mecanismo foi muito bem intencionado, é algo que se aproxima do London Approach, que existe no Reino Unido desde 1970: junta à mesa os principais bancos para gerirem os non-performing loans e, nesse sentido, foi um bom caminho. O malparado tem sido atacado pelos bancos, muito fruto da pressão do supervisor. Houve uma redução drástica do malparado nos últimos dois anos: primeiro começou-se a atacar o que era mais fácil, o malparado ligado ao imobiliário, e foi ficando para o fim o malparado ligado às empresas. É aqui que me quero focar.

E faço uma declaração de interesses. Sou acionista de uma sociedade de capital de risco que o que faz é tentar dotar as empresas, pequenas e médias, do que precisam — dos principais problemas que existem no nosso tecido empresarial –: capital, ou falta do mesmo; gestão, ou falta da mesma; e escala, ou falta da mesma. E este modelo que criámos, que tem como objetivo capitalizar as empresas, trazendo-lhe money e nova gestão para depois ganharem escala e se internacionalizarem, é um modelo muito importante para o país, porque estas empresas devem ser exportadoras e o objetivo das exportações nunca deve ser deixado de lado. O país deveria caminhar para ter um peso de 60% de exportações sobre o PIB.

Algumas destas empresas substituem bens de importação e ao deixarmos fechar muitas destas empresas, algumas delas economicamente viáveis, estamos a destruir não só postos de trabalho mas know-how que nós temos, e isto é quase criminoso. Temos de fazer um esforço muito grande e isso tem de ser apoiado pelo próximo governo.

O ministro da Economia é uma pessoa com muita sensibilidade para o tema, conhece bem os problemas das empresas e dos empresários e existem todas as condições para haver este apoio. Acho fundamental trabalharmos no que é a modernização da economia. É muito glamouroso falar de startups, Web Summit e é importante para o país ser um hub no que toca às startups. Mas e as empresas que já existem? E o expertise que já temos e não podemos perder? É o restart da economia que temos de fazer e é para o que tenho chamado a atenção dos nossos governantes e stakeholders. A lei da distribuição criativa é importante mas não podemos deixar morrer empresas que são operacionalmente viáveis.

Sinto aí vontade de sugerir uma ou outra medida ao ministro da Economia…
Tenho vontade de sugerir várias… Mas Siza Vieira tem muita sensibilidade para as empresas e empresários. É importante estarmos preocupados, e isso tem de ser o foco principal do primeiro-ministro e do ministro da economia, que será uma espécie de vice-primeiro-ministro.

Subiu a ministro de Estado…
E será o número dois e ainda bem que assim é. O nosso primeiro-ministro vai estar ocupado com temas que o vão fazer estar fora do país muito tempo e é importante ter uma pessoa da sua confiança comprometida com a sua legislatura e que ainda por cima tem este sensibilidade para os temas da economia e para ajudar a gerir o governo. Tão importante como garantir a estabilidade governativa, e continuar a ter as contas públicas equilibradas, dar incentivos às empresas que exportam, ter uma menor carga fiscal para as empresas é apoiar este processo de regeneração.

Vídeo. “Temos de ser mais competitivos em termos fiscais”

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Mas não se antevê uma descida dos impostos sobre as empresas.
Tanto quanto percebemos, ainda não. Mas é algo importante e que tem de ser feito. Temos de ser mais competitivos em termos fiscais. Todos dizemos que a nossa economia deve ser mais competitiva e voltamos sempre aos custos de contexto. Continuamos a ter um nível alto de burocracia, a administração continua a ser um empecilho, continuamos a não ter justiça económica rápida, a não ter estabilidade fiscal, embora seja necessário reduzir a carga fiscal. Eu começaria até pelas empresas porque é através delas que podemos criar riqueza e distribuí-la às pessoas, como também aumentar o salário mínimo nacional.

O governo, e em particular Siza Vieira, estão sensibilizados para esse restart da economia?
Julgo que sim. Agora é a altura certa para aparecer com mais medidas. Estamos a viver um tempo em que vai ser central para os estados europeus e para o nosso país apostar mais no instrumento orçamental. Temos vivido num ambiente de taxas baixas, numa política monetária expansionista sem precedentes e não tivemos muitas reformas – um fenómeno europeu – e chegou a altura de irmos lá pela via orçamental. De termos reformas, apoios às empresas para este tema de regeneração, e aumentar a produtividade da nossa economia.

Que reformas seriam fundamentais para a nova legislatura?
Uma era baixar o IRC. Outra é dar ainda mais incentivos às empresas exportadoras, não podemos perder de vista o grande objetivo de subida do peso das exportações no PIB. Há muitas mais mas espero ter oportunidade de dizê-las mais tarde.

Falou na subida do salário mínimo nacional. A Centromarca defende um valor?
Não vinculo a Centromarca a este tema. Acho é que é uma questão social, diria mesmo de dignidade. É muito difícil, se não impossível, viver-se com 600 euros em Portugal. Isto resulta não só de políticas públicas, mas mesmo ao nível do setor privado. Os gestores têm de ser mais produtivos, a gestão tem de ser melhor no sentido de se poder pagar mais aos quadros das empresas e não termos permanentemente a desculpa de não se poder pagar mais senão as empresas fecham, porque senão estaremos sempre a atuar num cenário de salários baixos. Os nosso competidores são os países de Leste, é com eles que temos de competir todos os dias.

Foi vice-presidente da CGD, que nos últimos anos tem aumentado as comissões, uma tendência de todo o setor. Este é um caminho sem regresso, este de cobrar mais aos seus clientes por serviços, sendo alguns deles feitos de forma automática?
A banca passou um período muitíssimo complicado no programa de ajustamento. Primeiro resolveu o tema da liquidez, depois teve de, e continua, resolver o tema do capital, entre outros desafios. Os bancos têm de encontrar um novo modelo de negócio, porque as suas receitas encontram-se sob uma pressão enorme (a margem financeira, a margem complementar, a diretiva de pagamento de serviços que não veio facilitar o trabalho dos bancos, a digitalização, o excesso de regulamentação). Têm desafios enormes e nos próximos anos vamos ver os bancos em permanente reestruturação. Quando começámos a ter notícias de bancos com resultados positivos, e comecei a ver o ambiente de festa, eu próprio tive oportunidade de falar com banqueiros e dizer “tem de se gerir as expectativas, os desafios vão ser muito exigentes”. E vamos continuar a ver, nos próximos anos, a banca a procurar um modelo de negócio. As comissões têm vindo a aumentar e vão continuar a aumentar.

Vamos voltar a falar na privatização da CGD?
Desde que saí da CGD, faz agora quase 4 anos, nunca falei da CGD e fui muitas vezes desafiado para o fazer. Vou manter-me fiel pela simples razão de que acho que a CGD precisa de sossego, mesmo. Aproveito a oportunidade para dizer duas coisas, mais do foro pessoal: primeiro, tenho o maior orgulho em ter pertencido à equipa do Dr. José Matos e ter sido vice-presidente dessa equipa, porque fizemos um excelente trabalho, e vou ser imodesto, numa altura muitíssimo complicada, tivemos um grande sentido de missão, aguentamos a CGD, salvámos muitas famílias e muitas empresas portuguesas e levámos a CGD até ao seu processo de recapitalização — na minha opinião de um montante exorbitante. Segundo, conheci excelentes quadros na CGD. Existe o estigma de dizer que o banco público não tem quadros com categoria. Conheci dos melhores profissionais do setor no grupo CGD — e trabalhei em muitos bancos. Terei no futuro muitas coisas a dizer sobre a CGD e direi.

A CGD tinha-se safado com menos dinheiro?
Eu prometi que não falaria e vou manter-me fiel.

O seu nome tem sido apontado para liderar a Associação Portuguesa de Bancos. Admite vestir essa camisola?
Não estava à espera desta pergunta… Tenho tido alguns desafios e fico contente, nem que seja por uma questão de ego, mas nesta altura estou muitíssimo bem no que estou a fazer. Sou um privilegiado e tenho sorte porque não só estou como presidente da Centromarca, o que para mim é bastante interessante, tenho aprendido num setor que não conhecia, estou no “bom lado”, defendendo o equilíbrios das relações comerciais. Sou administrador de um grupo de referência no setor agroalimentar, um setor importantíssimo para a economia portuguesa, que representa mais de 5% do peso das exportações e tem um volume total de mais de 18 mil milhões de euros. Sou administrador da Sogepoc, da família Ortigão Costa, que é o segundo maior player do mundo de concentrado de tomate, com fábricas no Chile, Espanha e Portugal. E entre produção de arroz, leite, começou há pouco tempo a produzir frutos secos — somos neste momento o maior produtor de nozes da Europa. É outro chapéu que tenho e estou muito contente porque trabalhar na economia real é muito interessante, tenho estado muito motivado. E estou, onde passo maior parte do meu dia, na Core Capital, que tem como maior objetivo regenerar o tecido empresarial em Portugal, porque é mesmo importante fazê-lo.

Até porque os economistas dizem que vem aí uma nova crise… O Banco de Portugal (BdP) estará mais bem preparado para enfrentar uma nova crise?
Creio que sim. O BdP tem vindo a fazer um caminho. Nas crises aprendemos muitíssimo e é isso que se espera do regulador, é que em momentos mais complicados exerça a sua magistratura de influência de forma a fazer com que as crises sejam mais suavizadas.

O regulador foi muito criticado por banqueiros e pelo governo. Na sua opinião qual destes nomes poderá suceder melhor a Carlos Costa: Luís Máximo dos Santos ou Mário Centeno?
Não gostaria de ser tão injusto com o governador Carlos Costa, ele foi muito importante em muitos temas e o setor tem de reconhecer isso. Olhando para a frente, qualquer um dos nomes que adiantou são bons para o banco central. O BdP ficaria bem entregue a qualquer um do dois.

Quer sugerir mais algum nome?
Não, do que tenho ouvido vão ser esses nomes a estar em cima da mesa – embora haja sempre surpresas… Ainda ontem na elaboração do governo tivemos surpresas.

Qual foi a maior surpresa com o elenco do governo?
Foi a boa surpresa de Siza Vieira como número dois.

Nas outras pastas mais económicas houve alguma deceção ou surpresa boa?
Não. Não sou especialista em política mas tenho a minha opinião. Acho que é um governo forte em termos políticos, que demonstra que o primeiro-ministro está preparado para negociar – é uma qualidade que todos temos de lhe reconhecer – acordos de geometria variável, por vezes poderá ser mais complicado… Ou não, porque creio que o que saiu destas eleições é que os partidos à esquerda têm de ter cuidado nas exigências que vão fazer: a última coisa que quererão é ir para eleições dentro de pouco tempo. Já perderam votos nestas eleições e arriscam-se a perder ainda mais numas próximas.

Quem também perdeu muitos votos foi o seu partido, CDS. houve já vários adjetivos usados: hecatombe, terramoto, catástrofe. Lembra-se de mais algum?
Não sou forte em adjetivos mas esses todos aplicam-se, infelizmente. Mas gostaria de dar uma palavra à dra. Assunção Cristas. Nunca seria fácil suceder a Paulo Portas, era uma liderança muito forte, longa e marcante logo aí, de certa maneira, era ingrato. E ela fê-lo de uma maneira abnegada, inclusivamente deu anos importantes da sua vida ao partido e atuou com base nas suas convicções, portanto uma palavra de justiça para Assunção Cristas que fez o melhor que sabia e podia. O que vem para a frente… o CDS com cinco deputados vai ter uma vida mesmo difícil, portanto tem de pensar no futuro. Por isso mesmo existe um congresso, sabe-se que já existem pessoas que vão levar moções ao congresso, algumas pessoas fora da bancada parlamentar.

Tem algum candidato favorito?
O CDS é o meu espaço ideológico, não tenho candidato favorito. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, talvez fosse importante ter o líder na assembleia da república, portanto não sei se Cecília Meireles ou João Almeida seriam bons nomes para serem eventuais candidatos à liderança. Mas existem também Filipe Lobo de Ávila, Abel Matos Santos, e outros que podem aparecer.

Nuno Fernandes Thomaz não é um nome?
Decididamente, não.

Nem um papel político mais ativo?
Não… quer dizer, irei ajudar na medida do possível sempre que me for pedido – já me foi mais pedido do que recentemente. É preciso reconhecermos as nossas limitações. Há pouco perguntaram-me da APB… tenho noção de onde posso, devo e quero estar. Talvez eu fosse demasiado disruptivo para uma tradicional APB e o mesmo se aplica ao CDS e à política. Muitas vezes sou politicamente incorreto.

 

Alguns dos votos do CDS terão fugido para a Iniciativa Liberal. Os dois partidos deveriam ponderar uma aliança?
Os partidos do espetro centro-direita não devem excluir alianças. E neste momento estamos a falar de vários, onde incluo o Chega. Como sabemos, dentro do CDS havia uma fação mais liberal, outra mais conservadora. O que Paulo Portas conseguiu ao longo de anos foi fazer a sínteses destas diferentes fações. Há uma parte do CDS que se revê na narrativa da IL. Há dias ouvi de um amigo, uma pessoa importante, o dr. António Pires de Lima, e concordo: o CDS não se deve excluir de entendimentos com o PS, não tem lógica fazê-lo logo à partida. O CDS tem de saber conversar com todos os partidos centro-direita e com o PS, como aconteceu durante anos e anos.

Defende que o CDS deve também falar com o Chega?
Não excluo uma aliança com o Chega. Não ostracizo nenhum partido do centro-direita.

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