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Nuno Gaioso Ribeiro “É estratégico avançar medidas para capitalizar as empresas”

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Sócio-fundador da Capital Criativo defende um fundo de fundos que traga robustez à economia e permita manter qualidade e competitividade dos negócios.

Para grandes problemas, soluções simples. Se o que faz falta no relançamento da economia é capitalizar as empresas, então que se procure injetar dinheiro nos negócios de forma sustentada, criando condições para as empresas viáveis recuperarem a saúde. Como um fundo de fundos, ideia defendida por Nuno Gaioso Ribeiro, sócio-fundador da Capital Criativo e presidente da Associação Portuguesa de Capital Risco, que conta com apoio de confederações empresariais e banca.

“Tive muitíssimas reações positivas do setor empresarial, financeiro e outros”, confirma o empresário, que tem mantido contacto com António Saraiva, da CIP – que nesta semana avançou uma proposta de solução ao governo. “A Associação Portuguesa de Bancos também está de acordo e já sugeriu a criação desses fundos como complemento essencial para apoios baseados em linhas de crédito. Parece-me existir consenso entre representantes das empresas, dos bancos e das sociedades gestoras sobre a necessidade estratégica de implementar medidas para capitalizar as empresas neste período”, confirma ao Dinheiro Vivo, vincando que o tema “deve constar das prioridades máximas da agenda económica”.

O presidente da APCRI elogia a postura do governo e as medidas já tomadas e considera que os bancos têm tido um papel fundamental, respondendo à medida das necessidades da economia com as cautelas que lhes são exigidas. Mas numa segunda fase será preciso um esforço diferente, sob pena de “muitas empresas morrerem”, de a criatividade e o empreendedorismo deixarem de existir. “Alguns não conseguirão financiamento sequer para reabrir, outros poderão reabrir mas não conseguir receitas que suportem custos ou não ter recursos para investir, nomeadamente em inovação, criatividade, aumento de capacidade, capital humano, tecnologia.”

É por isso que defende um fundo de fundos, com robustez suficiente para garantir a capitalização. Como funcionaria? Nuno Gaioso Ribeiro, que gizou uma solução a que chamou Capitalizar, explica que o mais importante é a ideia central: “No meio desta crise imprevista, é preciso uma estratégia nacional de financiamento às empresas que não consista apenas em empréstimos, mas seja complementada com medidas de capitalização. Conseguimos reduzir o endividamento no setor privado, uma doença crónica da nossa economia, e não podemos agora resolver o duplo problema de falta de liquidez e destruição de capital com dívida e mais dívida”, defende.

A ideia do fundo Capitalizar é por isso “uma hipótese de trabalho”, assentando em três princípios fundamentais. Primeiro, promover um aporte de capital próprio nas empresas que eram competitivas e saudáveis antes da pandemia, por prazos mínimos de 5 anos, e com partilha de risco ou sem remuneração fixa, sem modificação substancial da propriedade das empresas. Segundo, que esse capital seja gerido por sociedades de capital de risco profissionais. Terceiro, usar capital público de várias fontes, não a fundo perdido ou constituindo despesa, mas como investimento com retorno social e económico, complementado por capital privado.

E estará o governo preparado para avançar nesse sentido? O líder da APCRI não tem dúvidas de que “desde logo o primeiro-ministro e em particular o ministro da Economia têm perfeita consciência da necessidade de uma estratégia de capitalização das empresas”.
Para o especialista em capital de risco, no relançamento da economia é imprescindível “sabermos equilibrar a necessidade económica de reabertura com a minimização dos riscos”: “Qualquer facilitismo levará ao agravamento da crise de saúde e da económica.”

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