COSEC

O ambiente e outros quatro desafios na alimentação

Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
02.03.2020 / 18:55

COSEC identifica mudanças no agroalimentar na semana do Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB).

Reduzir a pegada de carbono na alimentação e a adaptação do setor agroalimentar aos novos hábitos alimentares é um dos desafios que mais peso tem ganho num setor fundamental da economia. É um dos desafios identificados pela Euler Hermes, acionista da COSEC, quando arranca o Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB).

Representando mais de 12% das exportações nacionais, o setor agroalimentar representa mais de 12% das exportações nacionais, sendo o mais representativo da carteira de clientes da COSEC – Companhia de Seguro de Créditos, sublinha a companhia, acrescentando ter, no fim do ano, “uma exposição de crédito de 1,3 mil milhões de euros no mercado doméstico e 805 milhões nos mercados externos para clientes do setor agroalimentar em todo o mundo”.

O SISAB arrancou hoje em Lisboa — com acesso vedado a participantes da China e Norte de Itália dados os desenvolvimentos no contágio do COVID-19 (leia mais aqui).

“De acordo com o estudo Agrifood: New risks looming ahead, divulgado em fevereiro de 2020, embora à primeira vista o setor apresente um bom desempenho, desde 2017 registam-se 30 grandes insolvências todos os anos a nível global”, regista a acionista da seguradora de créditos. “E se em 2018 as vendas totais destas empresas insolventes era de 5,9 mil milhões de euros, em 2019 esse valor disparou para os 18 mil milhões.”

As razões para estas mudanças prendem-se com cinco grandes áreas em que a Euler Hermes identifica desafios de topo para as empresas que trabalham estas áreas: a par das mudanças nos hábitos alimentares e da necessidade de reduzir a pegada da produção de alimentos, as disputas comerciais entre Estados, o aumento dos salários e o reduzido poder das empresas na fixação de preços.

Os economistas da líder mundial em seguro de créditos estimam que “as margens operacionais da indústria agroalimentar continuem a deteriorar-se (abaixo de +9% em 2020 em comparação com +10,2% em 2018), e que os custos aumentem +1,4 pontos percentuais, para 21,8% em 2020, face a 20,4% em 2015, crescendo mais depressa do que os proveitos”.

Assim, a seguradora de crédito dá ênfase às mudanças de hábitos, sobretudo no Ocidente, e às guerras comerciais, que levam a uma procura cada vez maior por “alimentos saudáveis” — que tem obrigado a indústria a investir em nova oferta –, bem como gerir “um número crescente de intervenções nas políticas comerciais dos Estados”. “Das cerca de 6 mil novas medidas implementadas desde 2009, apenas 40% facilitaram ou liberalizaram o comércio”, sublinha a acionista da COSEC, concluindo que este contexto tem obrigado as empresas a diversificar os canais de fornecimento, suportando maiores custos logísticos.

O estudo acima mencionado revela ainda como a evolução do valor dos salários – “2,3% na Zona Euro e 3% nos EUA, que representam 11% de todos os custos de operação no setor agroalimentar” – e o reduzido poder destas empresas na fixação de preços, nomeadamente no canal do retalho, tem impedido estas empresas de transferirem para o consumidor alguns dos custos, pressionando crescentemente os lucros.

A COSEC está no SISAB com um “stand exclusivo, com uma equipa especializada para prestar esclarecimentos sobre seguros de créditos aos expositores e visitantes”, assegurando ainda informações na área dos crédito com garantia do Estado, “que visam o apoio à exportação e internacionalização das empresas portuguesas em países de maior risco, para os quais não existe oferta comercial”.