Turismo

O “castelo do Harry Potter” das Caldas da Rainha vai ganhar uma vida nova

Foto: Carlos Manique/Global Imagens
Foto: Carlos Manique/Global Imagens

Responsáveis querem transformar edifício abandonado há mais de duas décadas numa "referência internacional"

Não se sabe se as Termas da Fadagosa, em Marvão, serão um dos edifícios incluídos pelo Governo no projeto “Valorização do Património”. Mas foram uma das muitas sugestões que os governantes receberam desde que foi anunciado o projeto que prevê concessionar nas próximas décadas 30 edifícios históricos em estado de degradação a investidores privados.

“Criámos um movimento”, exclama a secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que já perdeu a conta às mensagens enviadas por cidadãos anónimos que querem ver recuperado o património da terra.

Os 30 edifícios já incluídos no projeto “são uma pequena amostra” do que o país tem para oferecer, sublinha Ana Mendes Godinho. No total são “milhares” de imóveis públicos que se encontram ao abandono em Portugal. “É assustador e inaceitável”, reconhece a secretária de Estado.

De quem é a culpa? “É de todos nós. É do passado e da inércia. É das teias de regras que existem, da dificuldade que existe em avançar com um projeto quanto envolve muitas entidades”, explica a governante, que juntamente com os ministérios da Economia, Cultura e Finanças fez um primeiro inventário que tem como objetivo “pôr o património a render para que todos possam usá-lo”, sem ser à custa “dos impostos dos portugueses”.

“Não podemos ter monumentos fechados, ao abandono, quando existem investidores com vontade de os transformar”, observa a responsável do Turismo.

Depois de Elvas e de Évora, é a vez das Caldas da Rainha. Esta quarta-feira foi assinado o memorando de entendimento que prevê concessionar os Pavilhões do Parque a um investidor privado, que terá a missão de transformá-lo numa unidade hoteleira.

“Este edifício é um exemplo paradigmático de património ao abandono. Se não se fizesse nada pura e simplesmente caía. E era uma pena porque é magnífico, parece o castelo do Harry Potter”, descreve Ana Mendes Godinho.

Carlos Manique/Global Imagens

Carlos Manique/Global Imagens

A concessão dos Pavilhões do Parque inclui as instalações do antigo casino, conhecidas como “Casa da Cultura Céu de Vidro”. Os edifícios são património do Estado atualmente cedido à Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que vê assim chegar ao fim uma luta antiga.

“Ao longo de várias décadas, quando o edifício não estava concessionado à autarquia, reivindicávamos ao Estado os investimentos necessários para a sua requalificação. O Estado não o fez porque não percebeu a oportunidade que aqui estava”, conta Fernando Tinta Ferreira, presidente da Câmara das Caldas da Rainha.

O autarca confessa que a expectativa em torno do novo projeto é grande. “O pavilhão e o casino têm todas as condições para ser um hotel de referência internacional. Além de que tem acesso a uma das melhores águas termais da Europa”, sublinha.

Tinta Ferreira defende que o setor público deve ser responsável pelo património, mas vê com bons olhos que o Estado já não seja “o salvador e guardião de tudo”.

Os Pavilhões do Parque, da autoria do arquiteto Rodrigo Berquó, foram construídos em 1893, para integrar o projeto de águas termais da cidade, o que acabou por nunca acontecer. Pode ser desta.

“Queremos dar a este espaço o uso que ele nunca teve e para o qual foi projetado”, sublinha a secretária de Estado do Turismo.

Carlos Manique/Global Imagens

Carlos Manique/Global Imagens

O programa “Valorizar o Património” prevê a criação de uma linha de financiamento de 150 milhões de euros, com prazos longos e períodos de carência, “para que haja um efeito mobilizador do investimento”, destaca a governante.

Além dos Pavilhões do Parque já foram desvendados outros dois imóveis. O primeiro concurso foi lançado para o Convento de São Paulo, em Elvas, e decorre até 29 de setembro. O espaço, que deverá ser transformado numa unidade hoteleira, já tem pelo menos um interessado.

Foto: Ministério da Economia

Foto: Ministério da Economia

O caderno de encargos prevê a concessão do espaço ao investidor durante 40 anos e um investimento superior a cinco milhões de euros.

O segundo edifício cedido pelo Governo foi a Quinta do Paço de Valverde, em Évora, que também vai ser transformada num hotel de quatro ou cinco estrelas, num prazo de concessão de 30 anos.

O ministério da Economia vai divulgar a lista completa dos 10 primeiros imóveis até ao final de setembro, e os restantes 20 até ao final do ano. Nem todos deverão ser transformados em hotéis, avança Ana Mendes Godinho. “Depende da dimensão e das características. Podem nascer restaurantes, centros de animação…”.

Apesar da fase embrionária, a iniciativa já chegou aos ouvidos dos investidores estrangeiros. “Já tive vários grupos internacionais a pedir-me a lista dos imóveis disponíveis, porque estão interessados em estudar os concursos”, revela a governante.

Para o próximo ano o Governo está a preparar um roadshow internacional para captar investimento estrangeiro nestes imóveis.

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