Energia

O discípulo de um Nobel investiga o futuro do lítio português

Ilustração: Vítor Higgs
Ilustração: Vítor Higgs

António Silva chegou a Montalegre há dois anos para liderar a equipa de engenheiros geólogos da Lusorecursos. O geocientista garante que os trabalhos no terreno estão numa fase “muito avançada”, de tal forma que a empresa constituiu há semanas um consórcio de investigação com três instituições.

“Temos uma parceria com a Universidade do Minho, a Universidade de Aveiro e o Instituto de Nanotecnologia (INL), que vão estudar e investigar os nossos materiais, com o objetivo de desenvolver de células de baterias de geração futura”.

O projeto, que é independente da refinaria, terá a duração de três anos e deverá assegurar “quatro ou cinco” patentes. “A ideia é fazer a assemblagem de células de baterias a partir do hidróxido de lítio. As baterias que usamos hoje são de segunda geração B. Nesta investigação, a meta é trabalhar em baterias mais eficientes, de terceira e quarta gerações, que vão ser usadas a partir de 2025”.

Ilustração: Vítor Higgs/Animação: Nuno Santos

Ilustração: Vítor Higgs/Animação: Nuno Santos

Da equipa do INL faz parte Charles Amos, um discípulo de John Goodenough, um dos cientistas laureados este ano com o prémio Nobel da Química pelo desenvolvimento de baterias de iões de lítio. “Há vários investigadores de renome, chineses e europeus, envolvidos no projeto”, remata António Silva.

Além das universidades, a Lusorecursos está a trabalhar com os núcleos de investigação dos parceiros tecnológicos internacionais da mina. “Mas o que nos interessa é que a investigação seja feita em Portugal”.

Lítio em Montalegre (Rui Oliveira/Global Imagens)

Lítio em Montalegre (Rui Oliveira/Global Imagens)

António Silva não ignora a opinião dos especialistas que têm apontado dúvidas sobre o lítio português, nomeadamente a quantidade recuperável de minério que existe nos filões. Mas sublinha que “só pode afirmar isso quem não fez os testes”. O cientista garante que a sua equipa está “muito confortável” com os resultados das análises. “Já enviámos quilos de amostras para testes e quem nos faz as análises quer avançar no projeto connosco porque a recuperabilidade do minério é interessante”.

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