O estranho caso do aeroporto alemão que vai custar o dobro do previsto e está por acabar há 3 anos

Fotografia: DR
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Alemanha e Brasil defrontaram-se no Campeonato do Mundo. De um lado, o país anfitrião que tem sido criticado interna e externamente pelas derrapagens orçamentais dos estádios e infraestruturas da Copa. Do outro, a Alemanha, o país do rigor orçamental e dos balanços positivos, que organizou a mesma competição em 2006, mas com lucro.

Mas, como em tudo, existe sempre a exceção à regra. Para a Alemanha, crente na rigidez orçamental do ordoliberalismo (teoria económica dominante além Reno), a exceção chama-se novo aeroporto de Berlim-Schönefeld.

Atraso na conclusão, derrapagem orçamental, corrupção, mau planeamento: esta estória tem de tudo e não, não é um estádio brasileiro.

As obras tiveram início em 2006 e, de acordo com o inicialmente planeado, deveriam ter terminado em 2010. Mas três anos depois, a conclusão do projeto ainda é uma miragem: 2017, nas contas do presidente da comissão parlamentar federal de transportes, Martin Bukert.

A derrapagem orçamental é o outro dos principais problemas do aeroporto que é detido em conjunto pelos länder de Berlim e Brandeburgo e pelo governo federal.

No início, os custos estavam estimados em 2,5 mil milhões de euros. Mas estes foram sendo constantemente revistos, em alta. Passou para os 4,3 mil milhões e depois para os 4,7 mil milhões.

Até estar finalizado, o projeto deverá ter custado aos contribuintes alemães seis mil milhões de euros, segundo contas do presidente da comissão parlamentar regional do novo aeroporto.

“No total, já ultrapassou os seis mil milhões e não deverá ficar por aqui”, disse Martius Delius à Deutsche Welle. Neste momento, falta concluir os estacionamentos e as infraestruturas de transporte que vão ligar o aeroporto à cidade.

Mas a saga do novo aeroporto de Berlim não se limita à derrapagem orçamental. O anterior diretor técnico do projeto Jochen Grossman foi acusado pela justiça de corrupção, por ter aceitado meio milhão de euros em luvas.

Outro dos problemas é a proteção anti-incêndios. O problema foi dado a conhecer em maio de 2012, mas passados dois anos, o sistema de ventilação continua a não funcionar corretamente.

Outro dos problemas é que o dinheiro em caixa para o projeto pode não ser vir a revelar suficiente. Um documento confidencial revelado pela revista Der Spiegel, dá conta que somente 14 milhões de euros ainda estavam disponíveis, sendo necessários mais 50 milhões de euros para “evitar liquidez negativa”.

A rentabilidade do aeroporto também parece estar em causa por quanto mais caro é um projeto mais difícil é que se torne rentável no futuro.

Uma das hipóteses no futuro passaria por criar uma nova empresa e colocar as atuais dívidas de 2,4 mil milhões de euros numa outra empresa, de forma a limpar os balanços.

Os críticos também apontam que o aeroporto foi mal planeado. Projetado para 27 milhões de passageiros por ano, este valor pode não se revelar suficiente no longo prazo, o que obrigaria a novas obras de expansão mal o entre em funcionamento.

Mas apesar dos inúmeros problemas com o projeto, o novo presidente-executivo do aeroporto, Hartmut Mehdorn, não quer ouvir falar de auditorias. “Isto não é uma caixa de areia onde todos podem vir bisbilhotar”, afirmou em março, citado pela Der Spiegel.

No entanto, como o projeto recebeu 30 milhões de euros de financiamento europeu, o aeroporto recebeu as visitas do Tribunal Europeu de Auditores no ano passado.

A conclusão da visita foi revelada recentemente em forma de relatório. “Os controladores observaram fraquezas significantes em relação à preparação do projeto e gostariam de salientar em particular o facto que os planos de construção não estavam fechados quando os contratos foram atribuídos”, sublinham os peritos europeus

Assim, consideram que a empresa que gere o aeroporto violou “sistematicamente” diretivas europeias e agiu “à margem da lei”. O relatório foi enviado para Bruxelas que agora o está a analisar.

“Estamos a levar o relatório muito a sério. Caso se confirmem certas irregularidades em certos pagamentos, vamos pedir o reembolso do dinheiro”.

Também o Banco Europeu de Investimento (BEI) está atento ao desenrolar da situação na capital alemã. O projeto foi financiado em mil milhão de euros pela instituição, de onde não deverá sair nem mais um euro dos seus cofres.

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