O luxo que Portugal nunca viu vai chegar a Marvila

Um vem de Copenhaga o outro de Antuérpia. Vão abrir em Marvila uma loja com dezenas de marcas de luxo.

Conheceram-se em Londres, criaram a marca em Antuérpia e foram buscar o investimento à China. Mas o toque português estava lá desde o início. Foi num evento da Farfetch na capital britânica que Robby e Rune perceberam que tinham o mesmo sonho: criar a loja de moda do futuro. O futuro chama-se Tem-Plate e vai abrir portas em Marvila em abril.

Robby Vekemans era diretor de uma “loja de moda icónica” na Bélgica quando se cruzou com Rune Park, um coreano que tinha o mesmo emprego mais a norte, em Copenhaga. Em 2016, foram convidados pela Farfetch, o “unicórnio” português fundado por José Neves, para a conferência anual dos diretores de moda dos parceiros da plataforma. Uma semana depois da primeira conversa, Rune voou para a Antuérpia para começar a desenhar com Robby o projeto que quer mudar a venda de roupa de luxo.

“Quando criámos o primeiro modelo, ou template, do conceito não fazíamos ideia de que iríamos acabar por abrir a nossa primeira loja em Lisboa”, conta Robby Vekenmans em entrevista ao Dinheiro Vivo. “Trabalhámos durante meio ano no plano de negócios e depois procurámos investimento, num processo que acabou por nos levar até à China. Fechámos negócio com um investidor em agosto de 2017. Um mês depois despedimo-nos dos nossos empregos”.

A partir daí começou a busca pela primeira “cidade Tem-Plate”. Pensaram em Berlim, foram até Roma, mas foi em Lisboa que se apaixonaram “pelo que estava a acontecer”. A decisão de abrir a loja na capital portuguesa foi tomada em cinco minutos, garantem.

“O conceito da marca tem que ver com novos territórios. A Tem-Plate engloba tudo o que nós prevemos que vai ser o futuro da moda e do retalho. Por isso nunca considerámos cidades como Milão ou Paris, onde já existe tudo. Além disso queríamos que a primeira loja fosse na Europa, por estarmos perto das marcas. Queríamos criar primeiro uma base na Europa e expandir a partir daqui”, explica Rune Park.

O “espírito e o ambiente” de Lisboa fizeram o resto. “Não sentimos nada semelhante ao que se sente aqui em cidade nenhuma da Europa”.

Quando chegaram à capital, perceberam que a montra da moda de luxo se chama Avenida da Liberdade. Por isso puseram-na logo de parte. Em abril do ano passado, num armazém de 800 metros quadrados na Rua Projetada à Matinha, encontraram o que procuravam. “Adorámos o edifício e a zona, tem tudo a ver com o nosso conceito”.

O conceito vai trazer para Marvila, junto ao novo empreendimento do Braço de Prata desenhado por Renzo Piano, dezenas de marcas de moda de luxo. “Cerca de 85% das marcas que teremos vão ser vendidas em Portugal pela primeira vez”, sublinha Robby Vekenmans. Da lista fazem parte nomes como Comme des Garçons, Maison Margiela, Loewe ou Burberry.

“Nesta fase, em que o comércio online abre tantas possibilidades, as marcas também querem algo de novo. Ainda há marcas que querem estar nas grandes avenidas, mas as que nós trazemos procuram um cenário diferente. E gostaram muito do conceito desta área nova, longe do luxo. Esta localização faz parte do nosso ADN. Queremos estar onde existe potencial. Esperamos fazer parte da evolução que vai acontecer nesta zona da cidade”, salientam.

A loja de Marvila será a primeira de muitas que Rune e Robby querem abrir pelo mundo fora, ainda não sabem quando nem onde. Mas o quartel-general nunca sairá de Lisboa, onde os dois empreendedores já se sentem da casa, até pela quantidade de burocracia que foram encontrando pelo caminho. Um percalço que nem chega a ser um defeito, asseguram. Robby e Rune estão certos de que escolheram bem o berço da revolução que querem fazer no retalho de moda de luxo.

“Quem entrar aqui não vai ver apenas roupa pendurada nos cabides. Só posso dizer que trazemos algo de muito diferente do que as pessoas estão habituadas em Portugal. Vamos ter instalações pop up e eventos. Teremos colaborações com artistas portugueses e estrangeiros e instalações artísticas novas a cada duas ou três semanas”. A partir de abril, o Braço de Prata veste-se de ouro e pedras preciosas.

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