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O maior desafio do turismo é fidelizar novos mercados

Luís Araújo, presidente do Instituto Turismo de Portugal, para a rubrica " A Vida do Dinheiro"
(PAULO SPRANGER/Global Imagens)
Luís Araújo, presidente do Instituto Turismo de Portugal, para a rubrica " A Vida do Dinheiro" (PAULO SPRANGER/Global Imagens)

Com o número de turistas a bater recordes, o trabalho de casa agora é conhecer os novos segmentos para inovar.

Estão a descobrir Portugal e não encaixam no perfil típico do turista do nosso país. São novos mercados que é preciso conhecer para perceber o que esperam encontrar quando nos visitam e para terem vontade de voltar e de passar a palavra no seu país.

“O desafio que hoje se coloca já não é tanto captar cada vez mais turistas, porque o volume é já de tal forma gigantesco que o não imaginávamos há uns anos. Julgo que é um desafio de qualificação da oferta, que passa pelo produto, mas passa muito pelo serviço, é um desafio de fidelização”, resume José Roquette, administrador do Grupo Pestana, em mais um debate da edição deste ano do Prémio Inovação NOS, em colaboração com o Dinheiro Vivo e a TSF, desta vez sobre A Inovação no Turismo.

A conversa girou em torno da reinvenção de um dos setores mais dinâmicos da economia portuguesa, poucos dias depois dos dados divulgados pelo Banco de Portugal apontarem para um novo recorde de 20 milhões de hóspedes em 2017, número que deverá subir para 22 milhões se contabilizarmos os alojamentos locais.
“Precisamos de novos hotéis, hotéis direcionados para novos segmentos, novas experiências, etc. E isso tem muito que ver com a inovação”, porque a inovação não é só tecnologia, afirma Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.

“Conhecer este novo turista é essencial para não termos só de aceitar o que trazem os grandes operadores, sobretudo os que trabalham online, e que dominam o setor e têm um poder negocial cada vez maior. Só assim as margens poderão subir e as empresas hoteleiras em Portugal ganharão poder negocial”, defende o administrador do Grupo Pestana.

Investidor mais sofisticado
Durante muito tempo, o que se passava é que os grupos hoteleiros estavam habituados a ser comprados e não tanto a venderem-se, porque o investidor em hotelaria vinha de setores pouco sofisticados, e isso tem de mudar, insiste José Roquette. “Se não formos pela diferenciação da oferta, temos de ir pela competição do preço e não é isso que queremos ”, acrescenta o responsável do maior grupo hoteleiro português.

Num debate sobre inovação não podia faltar a referência à distinção atribuída, recentemente, a Portugal pela OCDE como um case study com o seu programa 4.0. “Vemos o digital como um instrumento para inovar o produto, porque este é um setor de pessoas para pessoas. A inovação no turismo não pode ser só tecnológica”, diz Luís Araújo.

Conseguir mais informação que não sejam apenas as estatísticas do Banco de Portugal e do Instituto Nacional de Estatística é essencial para conhecer as tendências de consumo do setor. Ajudar no fornecimento desta informação é precisamente o objetivo do Portal de Informação Turística, criado pela NOS em colaboração com o Turismo de Portugal.

Este portal tem informação do domínio público com dados estatísticos agregados a partir da sinalização dos telemóveis com cartões de operadores estrangeiros. “Esta informação permite-nos fazer uma medição de agregados e consegue–se saber onde é que há mais pressão do turismo, medida em número de turistas sobre número de residentes; onde há mais densidade de turistas; maior capacidade de cada um dos concelhos de atrair pessoas, por exemplo, à hora do almoço; qual o tempo de estada em cada região; etc.”, explica João Ricardo Moreira, administrador da NOS.
Mais uma ferramenta ao serviço dos agentes económicos para ajudar a dinamizar um setor que está a dar cartas em Portugal e que, no ano passado, atingiu receitas de 15 mil milhões de euros.

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