Agricultura

O mundo produz e consome mais azeite

Maria João Gala/Global Imagens
Maria João Gala/Global Imagens

Portugal tira partido da boa onda: aumenta a produção para níveis inéditos e reforça as exportações

A produção mundial de azeite aumentou 27% na campanha 2017-1018 face à anterior, e bem que era preciso, tendo em conta que o consumo também cresceu, na ordem dos 8%. Aliás, o consumo mundial disparou 49% nos últimos 25 anos, de acordo com o Conselho Oleícola Internacional (COI).

Como o Dinheiro Vivo já tinha avançado em março, Portugal ficou muito bem na fotografia, uma vez que nunca se produziu tanto azeite no país como nesta campanha, ao ter-se ultrapassado as 125 mil toneladas, muito acima do recorde das 121 mil alcançadas há 64 anos.

Produzimos mais, sobretudo a contar com a exportação, tendo em conta que os portugueses, ao contrário da tendência mundial, têm mantido estáveis os seus hábitos de consumo de azeite, em torno dos 7,1 quilos anuais por habitante, em 10.º lugar no ranking mundial.

De facto, dados atualizados mostram que, de outubro a março, as exportações portuguesas de azeite aumentaram 36% em volume e 53% em valor, face a igual período de 2017-16, originando um saldo comercial com um aumento de 180 milhões de euros nos primeiros seis meses da campanha, de acordo com o Sistema de Informações de Mercados Agrícolas (SIMA).

Apesar do aumento da produção, os preços pagos ao produtor também aumentaram, devido à qualidade superior do azeite obtido, para a qual terão contribuído as condições climáticas do ano passado. Os preços do azeite virgem extra nas transações a granel chegaram aos 5,10 euros por litro e o biológico aos 10 euros.

Espanha em baixa

Já Espanha, o maior produtor mundial de azeite, viu a sua produção cair 3%, em contraste com o mundo e com a Europa, onde, neste último caso, o aumento foi de 22%. Mesmo as cotações do azeite espanhol andam muito abaixo dos preços praticados em Portugal, ficando-se entre os 2,60 e os 2,75 euros por litro.

Como um mal nunca vem só, Espanha está a viver um pesadelo com os Estados Unidos, por causa da administração Trump ter imposto um aumento das taxas aduaneiras sobre as azeitonas negras de mesa, por pressão dos produtores californianos, que acusam os espanhóis da prática de dumping, devido às ajudas à produção que recebem da União Europeia.

A guerra comercial bilateral já resultou numa redução de 42%, para 4 milhões de quilos de azeitonas negras exportadas de Espanha para os EUA, com a agravante de Marrocos, Egito e Turquia terem aumentado as suas vendas entre 33 e 82% para o mercado norte-americano, de acordo com uma notícia do “El Confidencial”.

Ao que apurámos junto do setor, Portugal não se perfila como um potencial concorrente de Espanha neste produto, porque a azeitona produzida é sobretudo encaminhada para a produção de azeite.

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