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O palco foi pequeno para Marcelo e Al Gore

Não queria falar de política mas não fez outra coisa: falou na crise na Síria, no “erro tão grande” do brexit e na crise climática, criticando Donald Trump. Em poucos minutos, Al Gore conquistou toda a arena (Reuters/Pedro Nunes)
Não queria falar de política mas não fez outra coisa: falou na crise na Síria, no “erro tão grande” do brexit e na crise climática, criticando Donald Trump. Em poucos minutos, Al Gore conquistou toda a arena (Reuters/Pedro Nunes)

Com um Altice Arena ao rubro, o Presidente da República apelou ao prolongamento da cimeira para lá de 2018

“No próximo ano, na mesma data, no mesmo lugar, vejo-vos a todos.” A despedida é de Marcelo Rebelo de Sousa, mas serviu para os 59 115 que rumaram ao Parque das Nações para participar na Web Summit. Ao Presidente da República coube encerrar a megacimeira tecnológica, numa tarde em que o Altice Arena estendeu passadeira vermelha para receber figuras de renome internacional: Caitlyn Jenner, Rosario Dawson, Sara Sampaio e o (mais) aguardado e aclamado Al Gore.

Com casa completamente cheia, os avisos da organização chegaram cedo. Primeiro sobre a lotação quase esgotada com a chegada da modelo da Victoria’s Secret Sara Sampaio, segundo sobre os ecrãs colocados no exterior para que se pudesse “evitar as filas” e, ainda assim, acompanhar os últimos minutos do evento.

Marcelo foi o último a subir ao palco. Rápido no inglês e já quase sem voz, foi recebido de pé e por uma multidão de fotógrafos e jornalistas sentados no chão – afinal eram dois mil os acreditados.

Foi breve mas deixou vários recados. Mostrou-se preocupado com a condução política da democracia, atacou os que nada fazem para combater as alterações climáticas e apelou aos cérebros presentes na cimeira para mudarem o rumo. “Vocês estão a fazer uma revolução científica e cultural. Vocês são a quinta, a sexta, a sétima onda desta revolução. Vocês são os transformers porque conseguem mudar o mundo.”

Deixou uma nota de “esperança” no futuro e o apelo a Paddy Cosgrave mas também à Câmara de Lisboa e até ao governo : “Esperamos que o nosso ponto de encontro seja aqui não só em 2018, mas em 2019 e 2020. Portugal merece-o. Lisboa merece-o.”

A multidão já estava em êxtase antes de Marcelo. Al Gore era o cabeça-de-cartaz e não desiludiu. Foi recebido como uma estrela de rock num palco tantas vezes reservado para elas. Nas primeiras palavras do seu discurso de meia hora avisou que não estava ali para falar de política. Mas a verdade é que não fez outra coisa.

Com o mote das alterações climáticas, agarrou o público e nunca mais o largou. “Só há três questões a colocar sobre a crise do clima. Temos de mudar? Podemos mudar? Vamos mudar?” A resposta a todas é sim. “Não estou aqui para vos entreter ou para vos dar alguns factos aleatórios. A minha missão é recrutar-vos para a missão de mudar o planeta. Podemos mudá-lo e vamos mudá-lo”, diz, para receber mais uma ovação ensurdecedora de fiéis que estão ali para ser recrutados pelo ex-vice-presidente do EUA tornado ativista.

A ode à beleza e a fragilidade do planeta Terra prossegue até desaguar onde toda a gente estava à espera: na Casa Branca. “O Acordo de Paris foi um marco histórico. Só a Síria e a Nicarágua não assinaram. Mas Donald Trump anunciou em junho que os EUA vão abandoná-lo. Os termos desse acordo ditam que um país só pode sair do pacto no dia seguinte à próxima eleição presidencial. E isso só vai acontecer em 2020. E se houver um novo presidente, ainda pode voltar atrás nessa decisão. Nós vamos fazer a nossa parte, independentemente do que pensa Donald Trump”, disse, num claro piscar de olho a 2020. Ainda teve tempo para dirigir uma palavra ao outro terramoto político que abalou o mundo em 2016. Explicou que a crise dos refugiados na Síria começou por ser climática e que hoje “está a afetar toda a gente”, como o Reino Unido. E por falar em Reino Unido… “O brexit, que erro tão grande que eles cometeram.” O delírio coletivo é prova de missão cumprida. Só faltou sair em ombros.

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