Imobiliário

“O Parque das Nações vai deixar de ser uma ilha”

(Orlando Almeida / Global Imagens)
(Orlando Almeida / Global Imagens)

Em 2020, a VIC Properties vai avançar com a descontaminação da Matinha e com a construção de dois lotes no Braço de Prata.

É considerado “o projeto imobiliário do século” em Lisboa. Em 2020, quase uma década depois da conclusão do Plano de Pormenor da zona, vai finalmente arrancar a transformação dos terrenos que ligam Marvila ao Parque das Nações.

Na Matinha vão nascer mais de duas mil habitações, um hotel, jardins, escritórios, comércio e equipamentos da câmara. Do que hoje existe no local, vão manter-se os três gasómetros, “para preservar a memória da indústria que lá existiu”, conta ao Dinheiro Vivo Luís Gamboa, chief operating officer (COO) da VIC Properties, a promotora que neste ano adquiriu os terrenos junto ao Tejo.

O primeiro passo, após o estudo de impacto ambiental, será descontaminar os terrenos, que hoje estão vedados. É essa fase que vai arrancar já no novo ano, assim que forem aprovados todos os projetos de infraestruturas. “A Matinha é um desafio. Estamos a desenvolver o projeto com calma. Não conseguimos ainda prever em que ano estará concluído, mas é certo que terá um papel fundamental na consolidação desta zona de Lisboa e na ligação ao Parque das Nações, que atualmente é uma ilha na cidade, e vai deixar de ser.”

A ligação entre as duas freguesias será feita através de um parque ribeirinho. A primeira fase do desenvolvimento imobiliário terá “uma dimensão semelhante à do Prata Riverside Village”, o outro empreendimento da VIC que fica “colado” à Matinha e terá, quando terminado, 700 habitações.

Os dois empreendimentos serão, no entanto, “muito diferentes”. Na Matinha, os edifícios junto à linha do rio terão “sete ou oito pisos”, enquanto os mais recuados poderão crescer em altura.

Um dos grandes desafios da zona, reconhece Luís Gamboa, é a mobilidade, apesar da proximidade ao comboio e das ciclovias. Para melhorar os acessos a Marvila, a promotora conta com a câmara, que tem um plano para fazer chegar o elétrico ao Parque das Nações.

Bairro de Prata

Antes das obras na Matinha, a prioridade da VIC em 2020 será “dar gás” ao Prata Riverside Village. O projeto de 12 lotes estará terminado em 2023. Para já, há um edifício pronto e habitado e dois em construção. No início do próximo ano deverão arrancar as obras de mais dois lotes. Em 2021, conta ter metade do empreendimento, cerca de 350 casas, pronto a habitar.

Com preços que oscilam entre os 285 mil euros e os 1,9 milhões, têm sido os portugueses os principais interessados nas casas do Braço de Prata. Restam “alguns investidores” à procura de visto gold.

O plano da VIC para o Braço de Prata é “contrariar o conceito de dormitório ou de condomínio privado e criar o sentimento de bairro”. O empreendimento terá escritórios e cerca de cem lojas, que serão arrendadas pela própria promotora, depois de definido o mix de serviços pretendido. “Vamos fazer convites a alguns serviços e analisar as propostas de outros.” Os primeiros contactos já foram feitos e no primeiro trimestre de 2020 “haverá novidades”.

É também para o início do próximo ano que Luís Gamboa remete o anúncio de novos projetos da promotora. “Temos vários negócios em pipeline, alguns mais adiantados do que outros. Queremos ter vários projetos em Portugal, sendo que o foco é Lisboa, Porto e Algarve, mas pode haver exceções.” O responsável não confirma, “até que se concretize”, a compra da Herdade dos Pinheirinhos, em Melides, que pertence ao Novo Banco.

“Queremos diversificar os nossos ativos, seja com projetos mais urbanos ou turísticos. Os bancos são uma fonte importante de produto imobiliário e ainda têm ativos interessantes nas carteiras. Estamos atentos.”

Fora do imobiliário, o grande projeto da VIC Properties para 2020 é a anunciada entrada em bolsa. Será na segunda metade do ano, revela Luís Gamboa, e “não será apenas na bolsa portuguesa”. A abertura do capital vai permitir à VIC “ter mais equity, avançar para novos projetos e estruturar operações com outra solidez financeira”.

A empresa não rejeita aderir ao regime das Sociedades de Investimento e Gestão Imobiliária (SIGI), mas reconhece “ainda há questões a limar na lei, o que deverá ser feito em breve”.

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