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O que acontece ao luxo quando se tornar acessível?

Fotografia: Cody Glenn/Web Summit via Sportsfile
Fotografia: Cody Glenn/Web Summit via Sportsfile

Um bem pode tornar-se luxo pela procura que tem? E uma marca de luxo pode tornar-se acessível sem perder o título?A tecnologia está a mudar o conceito

Exclusivos, caros e muitas vezes supérfluos. Os bens de luxo estão acessíveis a poucos fenómeno que os valoriza ainda mais. Mas não por muito tempo – palavra de unicórnio.

“O que estamos a fazer é tentar acabar com esta escassez arbitrária que tem sido a definição de luxo. Eu acho que é possível encontrar formas de acabar com esta falta de acesso e não acho que isso venha a eliminar a definição de luxo, apenas vai torná-lo mais real para as pessoas”, disse esta quinta-feira, Josh Builder, fundador do Rent the Runway.

O unicórnio norte-americano, que permite alugar bens de luxo como acessórios, roupas ou até decoração para lares, já conta com 600 designers como parceiros e emprega 1800 pessoas. A comunidade tem 11 milhões de membros, tantos que teve de fechar novas subscrições.

“A tecnologia para nós é tudo e o nosso objetivo último é flexibilizar ao máximo o acesso a moda”. É por isso que, há três anos, acabaram com as datas limite para entrega dos bens alugados. “Dificultámos a nossa vida com o lançamento de um serviço empresarial sem limite”, destacou.

As marcas, diz Builder, também já perceberam o potencial de estar ‘aberto’ a muitos. “As pessoas criam afinidades, vão acompanhando as coleções das novas estações ao longo dos anos e os diferentes designers, algo que nunca seria acessível o luxo estivesse guardado para pessoas com resmas de dinheiro. Isto muda a perspetiva que as pessoas têm e faz com que o luxo se torne parte do dia-a-dia”, destacou.

O acesso sem limites a produtos de luxo a preços mais baratos está longe de ser a única face deste novo mundo que a tecnologia está a descobrir. Na StockX, outro unicórnio, Josh Luber trocou as voltas ao conceito de luxo com um serviço de licitação de produtos que podem ter um valor baixo e, acabar por ser valorizados pela forte procura dos consumidores. “Há imensas empresas a descobrir formas para revolucionar a forma como as pessoas compram e vendem produtos, e toda a gente é estática no preço.

O preço é a área onde nós verdadeiramente atuamos, como é que um produto vai para o mercado real, uma matéria-prima, porque os produtos que nós vendemos e que as pessoas compram no StockX ou eBay ou noutro lugar qualquer, essas matérias-primas é que são os ativos que importa. Nós fomos ver como o mercado das ações funciona e aplicámo-lo aos bens”, explicou o responsável, que foi orador numa talk sobre o poder da tecnologia, esta quinta-feira na Web Summit.

Como funciona? Na prática, os interessados licitam os produtos e, no final, a venda poderá ficar acima do seu valor original. “Os ténis são um exemplo de produto que frequentemente vendemos acima do seu valor de mercado”, explica.

Josh Builder não estranha a mutação do conceito de luxo .”Acho que é normal que o futuro da moda e o futuro do luxo seja um paralelo onde se tenta perceber qual é o valor real que alguém paga por algo e aquilo que nós fazemos que é democratizar o acesso”, realça.

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