Chipre

O resgate a Chipre em 10 pontos

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Com uma economia extremamente exposta às vicissitudes gregas – país com quem tem bastantes laços comerciais – o Chipre foi lentamente afundando na crise da zona euro. Bancos que compraram milhares de milhões de euros em dívida pública helénica, vêem-se agora sujeitos a um resgate.

Este “bailout” cipriota tem como contrapartida a taxação de depósitos bancários e a
subida do IRC. Mercados já se ressentem e as bolsas estão em queda. O resgate em dez pontos, pelo diário espanhol Expansión:

1 – A luz verde ao resgate

A Troika (entidades europeias e FMI) aprovou um resgate ao Chipre no valor de 10.000 milhões de euros. Sem esse dinheiro, assistiria-se ao colapso do sistema financeiro cipriota.

2 – Primeira proposta de taxação de depósitos

Em contrapartida pelo resgate, a Troika exigiu que fossem taxados os depósitos bancários na

ilha. Assim, os depósitos inferiores a 100.000 euros pagariam uma taxa de 6,75% e os depósitos superiores a esse montante uma taxa de 9,9%. O dinheiro seria então convertido em acções do banco.

3 – Segunda proposta traz menos dor aos pequenos depositantes

Uma das maiores críticas a esta solução, seria o facto desta afetar os pequenos depositantes.

A zona euro estaria assim a violar a linha inferior a 100.000 euros, já que estes depositantes estão “protegidos”pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Este “mantra” sempre foi utilizado para acalmar os depositantes e evitar “bank runs”.

Assim sendo, o novo imposto extraordinário será de 3% para os pequenos depositantes e 12,5% para os depósitos superiores a 12,5%.

4 – Parlamento vota amanhã medida e aprovação não está garantida

Estava previsto que o Parlamento votasse hoje a medida às 14h, mas foi adiada para amanhã às 18h. De qualquer das maneiras, espera-se uma votação complicada, sendo que para a medida passar serão necessários 29 votos dos 59 lugares que tem o Parlamento cipriota. O partido do governo, Disy só conta com 20 lugares e precisa do apoio dos centristas Diko para passar a medida.

5 – Gerar-se-á insegurança na zona euro?

Os líderes europeus asseguram que esta medida é “excepcional” e que não será necessário alargá-la a outros países. Contudo, ao quebrar-se a “linha vermelha” do Fundo de Garantia de Depósitos, os pequenos depositantes podem não se sentir seguros. As pessoas começarão a levantar o seu dinheiro?

A medida no Chipre abriu um grave precedente.

6 – Mercados já sentem o contágio

As tensões voltam aos mercados. As praças asiáticas estã em queda (a Nikkei encerrou com menos 2,7%), o que se tm repercurtido nas bolsas europeias. O PSI 20 encontrava-se, de momento, a cair na ordem dos 1,4%.

7 – Fecho de bancos e “corralito” automático

Os cipriotas acordaram no sábado com a notícia de que os seus depósitos iriam ser taxados. De seguida, muitos saíram à rua para levantar as suas poupanças, mas descobriram que os bancos que abrem ao sábado tinham proibido transferências bancárias. Assim sendo, os bancos encontrar-se-ão fechados até quarta-feira.Para evitar fugas de capitais, o governo congelou a parte dos depósitos, correspondente à taxação.

8 – Quase 40% dos depósitos no Chipre pertencem a estrangeiros

Pelo menos 27.000 milhões dos 68.000 milhões em depósitos bancários cipriotas são de estrangeiros e, parte indeterminada de milionários russos, cuja fortuna tem origem duvidosa.

9 – Depositantes receberão ações do banco

Em troca pelo imposto, os depositantes receberão ações. Há, contudo, muitas dúvidas sobre a sua liquidez e método de valoração.

10 – Subida do IRC

Outra contrapartida é o aumento da taxa de IRC de 10% para 12,5%. O IRC do Chipre era, até agora, o mais baixo da zona euro, segundo um relatório da KPMG.

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