Construção

Obras públicas. Concursos são o triplo dos contratos celebrados

Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens
Fotografia: Pedro Granadeiro/Global Imagens

Construção. Investimento está a crescer, mas permanece residual, diz a AICCOPN, que lamenta a "casmurrice política" do PS e PSD nas infraestruturas

O mercado de obras públicas está a recuperar, mas os concursos continuam a ser lançados a um ritmo muito superior à celebração de contratos. Só este ano foram promovidos concursos num valor que é o triplo do total dos contratos celebrados. O diferencial é de 1,1 mil milhões.

A associação da construção, a AICCOPN, socorre-se dos dados do Barómetro das Obras Públicas para destacar que, “praticamente, não há obras de média ou grande dimensão”: só há 10 empreitadas acima de 5 milhões de euros (foram 40 em 2014) e duas delas são de empreendimentos hoteleiros.

O presidente da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas reconhece que o mercado está a recuperar, mas lembra que está, ainda, muito aquém dos seus valores habituais. “Foram lançados, até julho, concursos de obras públicas no valor de 1.728 milhões de euros, praticamente o dobro face ao ano anterior, mas é preciso ter em conta que o mercado atingiu mínimos históricos, no primeiro semestre de 2016. E que estamos muito longe dos 4,2 mil milhões de euros dos anos de 2007 e 2008”, sublinha Reis Campos. Que lembra que, apesar do crescimento do investimento em construção – que, no primeiro semestre cresceu 9,5% e foi responsável por 24,4% do aumento do PIB, de 2,9%, o mais elevado do século -, os valores “são, ainda, pouco mais que residuais”. O valor dos contratos públicos celebrados, até julho, foi de, apenas, 626 milhões de euros. E, mesmo assim, 70% acima dos primeiros sete meses de 2016.

Reis Campos lamenta que PS e PSD “persistam na casmurrice política” e não se entendam no que diz respeito ao investimento estruturante para o país. “O primeiro-ministro diz que pretende obter um ‘pacto’ com o PSD para o investimento estruturante. O anterior governo, liderado pelo PSD, aprovou o Plano Estratégico dos Transportes e das Infraestruturas, o PETI 3+, objeto de largo consenso na sociedade portuguesa. Se o PSD estivesse no governo teria feito essas obras, então qual é a dificuldade em que os dois partidos se entendam?”, questiona o presidente da AICCOPN. Este responsável lembra que a reabilitação urbana em Portugal necessita de obras da ordem dos 24 mil milhões de euros, um projeto para 15 ou 20 anos. E que o crescimento do turismo obriga a pensar já a expansão, futura, dos aeroportos. “Tudo isto leva muitos anos, vai atravessar várias legislaturas, mas tem que ser pensado hoje. Ou, então, acaba-se com os turistas e já não precisamos de fazer essas obras”, ironiza.

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