OCDE: Ajudamos pouco o próximo e temos medo de andar sozinhos à noite

Assaltos mais frequentes em Portugal
Assaltos mais frequentes em Portugal

Em média, os portugueses gastam metade do tempo dos outros habitantes da OCDE em voluntariado: apenas dois minutos, contra uma média de quatro minutos diários – o que nos coloca em 30º lugar no ranking de 36 países. E, ao contrário do que dizem os anúncios, também estamos abaixo da média da OCDE no que toca a ajudar estranhos: só 45% refere tê-lo feito no último mês, contra 48% em média nos países da OCDE.

Portugal está em 31º lugar a nível da vida em comunidade, entre 36 países da OCDE.

Também no que toca a considerarmos que podemos contar com o apoio social da comunidade em tempo de dificuldade, estamos abaixo da média da OCDE: 85% versus 90%. Mas este sentimento é agravado pela percepção das pessoas com menos educação escolar (só 75% acha que pode contar com ajuda da comunidade), já que 95% das que concluiram o ensino secundário acredita no apoio da comunidade em tempos difíceis.

O item “comunidade” do indice de qualidade de vida da OCDE mede o grau de envolvimento da população em ações altruístas ou de voluntariado, como forma de obter bem estar e satisfação pessoal. Em países como a Nova Zelândia ou os EUA as pessoas chegam a gastar o dobro do tempo médio nessas atividades, ou seja, oito minutos por dia. O apoio da comunidade é importante para as pessoas, por isso a OCDE também quis saber se acham que podem contar com alguém na comunidade e 90% consideram que sim – resposta mais frequente entre quem concluiu o ensino secundário (93%) e menos entre os que apenas têm o ensino primário (84%).

No que diz respeito à segurança pública, Portugal também não transmite uma boa impressão aos portugueses – estamos em 27º no ranking de 36 países. Nos países da OCDE, apenas 4% das pessoas dizem que foram assaltadas ou roubadas nos últimos 12 meses, sendo esta declaração mais elevada no México (13%) ou no Chile (8%) e menor no Canada, no Japão, na Polónia ou no Reino Unido (menos de 2%). Em Portugal, 5,8% das pessoas referem ter sido alvo de um daqueles ataques no último ano.

Portugal está em 28º lugar no que toca a segurança, no ranking de 36 países da OCDE.

Só na taxa de homicídios Portugal consegue estar acima da média da OCDE, com apenas 1,2 por 100 mil habitantes, por comparação a 2,2 por 100 mil habitantes.

Mas, enquanto 67% dos habitantes da OCDE dizem que se sentem seguros nas ruas depois de anoitecer, só 49% dos portugueses considera seguro andar sozinho à noite.

O índice de qualidade de vida da OCDE pretende contabilizar o que “mais existe na vida além dos números frios do PIB e das estatísticas económicas”, baseando-se em onze tópicos que seleccionou como essenciais para as condições e qualidade de vida das populações: habitação, rendimentos, empregos, comunidade, educação, ambiente, participação cívica, saúde, satisfação com a vida, segurança e equilíbrio trabalho-vida.

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