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OCDE apoia Centeno. “Redução do défice é apropriada”

Angel Gurria, secretário-geral da OCDE. Fotografia: EPA/Mario Guzmán
Angel Gurria, secretário-geral da OCDE. Fotografia: EPA/Mario Guzmán

OCDE alinha as suas projeções com as do Ministério das Finanças: um défice de 0,7% do produto interno bruto (PIB) este ano e de 0,2% no ano que vem.

A redução projetada pelo Governo para o défice público “é a apropriada”, tendo em conta a grande dívida pública que Portugal carrega, referiu esta quarta-feira a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), no novo estudo sobre as economias mais desenvolvidas do mundo (Economic Outlook).

Assim, a OCDE alinha as suas projeções orçamentais com as do Ministério das Finanças: um défice de 0,7% do produto interno bruto (PIB) este ano e de 0,2% no ano que vem, diz o novo outlook.

O crescimento da economia é ligeiramente revisto em baixa (uma décima) face a novembro, para 2,2%. E assim também fica uma décima abaixo do que diz o governo.

A organização liderada por Angel Gurría alerta, uma vez mais, que “o crescimento lento da produtividade prejudica a sustentabilidade da recuperação”.

Na dimensão orçamental, “o investimento público apoiará o crescimento económico em 2018” e a “postura da política orçamental vai ser levemente expansionista”, estima.

Além disso, “a absorção dos fundos estruturais da União Europeia deverá aumentar de forma notável”, o que também é um impulso ao investimento.

Os peritos observam que “embora os défices orçamentais tenham caído substancialmente desde 2010, a dívida pública continua muito alta”. A OCDE estima que o rácio do endividamento público desça para 123,1% do PIB em 2018 e 120% no ano que vem.

O ministério de Mário Centeno diz que o corte vai ser mais pronunciado: 122,2% e 118,4%, respetivamente, indica o Programa de Estabilidade.

Em todo o caso, a OCDE apoia o ajustamento no défice preconizado por Centeno. “Neste contexto, a redução projetada do défice orçamental é apropriada.”

A política orçamental “ligeiramente expansionista de 2018” deverá tornar-se “amplamente neutra em 2019”. Para a OCDE, isto é “apropriado” porque o País tem “a necessidade de manter a sustentabilidade orçamental de médio prazo que, ao mesmo tempo, não impeça a recuperação económica”.

“Retoma apoiada nas reformas passadas”

No entender da organização, esta recuperação da economia “continuará a ser apoiada por reformas passadas, pelo comércio externo favorável e pelas condições da procura interna”.

Outro aspeto relevado no estudo é que “o consumo das famílias beneficiou de melhorias nas condições do mercado de trabalho condições e de um ligeiro abrandamento no ritmo de desalavancagem do sector privado”.

“No entanto, tanto o consumo, como o investimento continuam a ser limitados pelo fraco crescimento da produtividade do trabalho. O sistema educativo poderia fazer mais para elevar os níveis das competências”.

A OCDE vê a economia a crescer 2,2% em 2018 e 2019; a taxa de desemprego continuará a descer para 7,5% da população ativa e 6,6%, respetivamente.

(atualizado às 12h35)

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