OCDE ataca agências de rating e avisa Portugal

Angel Gurría, OCDE
Angel Gurría, OCDE

O histórico das classificações das agências de rating sobre as dívidas dos países é “pobre” e “não muito impressionante”, acusa hoje a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Para além desta barreira aos governos, a OCDE mostra que Portugal, que terá de regressar aos mercados abertos ainda este ano, irá fazê-lo num contexto internacional de expansão generalizada da dívida soberana, ainda que ligeira (mais 100 mil milhões) no conjunto dos países ricos.

O estudo “Perspetivas para o Endividamento Soberano em 2013” começa, logo no sumário executivo, por fazer um ataque às agências de rating. Refere que as medidas de risco relativas à dívida são hoje “complicações adicionais para os Governos emitentes”, mas frisa que “o histórico das classificações do risco soberano não é muito impressionante”. No comunicado, a OCDE diz mesmo que esse histórico “é pobre”.

A organização, que reúne mais de três dezenas de países ricos e, normalmente, ventila o consenso dominante em relação às políticas a seguir, pretende que as medidas de risco existentes “incluindo os ratings” “devem ser usadas com muito cuidado quando se conclui que a dívida de um soberano de um país da OCDE perdeu, de facto, o seu status “sem risco”. Trata-se de uma referência direta a casos recentes, como o do Reino Unido ou dos EUA, que perderam os seus ratings máximos AAA.

O estudo prevê ainda que, este ano, Portugal terá concorrência no mercado de dívida internacional, já que os governos da OCDE deverão pedir emprestado cerca de 10,9 biliões (milhões de milhões) de euros em 2013 contra 10,8 biliões em 2012. Serão mais 100 mil milhões de emissões a realizar.

A OCDE refere que Portugal terá de ir ao mercado pedir emprestado 10 mil milhões de euros até setembro deste ano (o valor é hoje menor, cerca de 7,5 mil milhões, já que o IGCP fez uma emissão sindicada de obrigações de 2,5 mil milhões de euros em janeiro e o estudo da OCDE foi fechado antes dessa data). Se o país não conseguir este dinheiro “terá de pedir outro programa de suporte financeiro”, observa a instituição.

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