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OCDE. Dinamismo das exportações nacionais tem o pior registo da década

Da esquerda para a direita: Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado das Finanças, Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens
Da esquerda para a direita: Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado das Finanças, Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, e Pedro Siza Vieira, ministro da Economia. Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens

Exportações perdem com "enfraquecimento dos maiores parceiros de Portugal", mas economia aguenta-se pelo lado do investimento, espera Gurría.

A expansão das exportações portuguesas, o motor do crescimento nos últimos anos, deverá registar o pior momento da última década (desde 2009, quando cederam 10%), avançando uns meros 2,4% este ano, indica a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), no novo panorama sobre as economias mais desenvolvidas do mundo (outlook), divulgado esta terça-feira.

Na parte do estudo que avalia a situação de Portugal, a OCDE reduz a previsão do andamento das exportações para quase metade do valor avançado no Outlook precedente (novembro de 2018) e isso contribui para uma revisão em baixa do crescimento da economia de 2,1% para 1,8%. Em todo o caso, está quase em linha com a nova previsão do governo, do Programa de Estabilidade (1,9%).

O governo acredita que as exportações aumentem 3,8% em 2019.

As exportações perdem gás muito por causa do “enfraquecimento da atividade económica dos maiores parceiros comerciais de Portugal”, mas a economia aguenta-se pelo lado do investimento, com o apoio significativo dos fundos europeus, da política orçamental do governo, que deverá manter o seu “suporte” à atividade doméstica, e porque as condições financeiras (que emanam da política de juros zero mantida pelo BCE) continuarão a ser altamente favoráveis, refere a OCDE.

“O investimento será reforçado por uma maior absorção dos fundos da União Europeia nos próximos anos”, diz a OCDE, sublinhando que “a revitalização dos projetos de investimento público com alto retorno económicos é fundamental, dado o rápido envelhecimento da população portuguesa e o lento crescimento da produtividade”.

A organização, que representa os interesses das 30 economias mais desenvolvidas do mundo, chefiada por Angel Gurría, espera também que as empresas façam a sua parte. “Após um período sustentado de desalavancagem [desendividamento] das empresas, elas estão agora numa boa posição financeira para realizar novos projetos de investimento.”

No entanto, tal como as restantes organizações internacionais que seguem a economia portuguesa, os riscos são elevados e podem deitar por terra todo este cenário.

Embora preveja uma “melhoria contínua das condições do mercado de trabalho, que apoia o consumo privado”, “espera-se que o crescimento nos mercados de exportação, como Espanha, Alemanha e Reino Unido, diminua, servindo de obstáculo” às vendas ao exterior.

Além disso, a OCDE alerta que “os riscos para as perspetivas incluem um aperto nas condições financeiras”. “Em particular, um aumento nas taxas de juro de mercado pode prejudicar as despesas das empresas e famílias, conduzindo a um aumento no stock de empréstimos não produtivos [malparado e outros tipos de incumprimento] nos balanços dos bancos”.

Do lado dos riscos positivos, a entidade refere que “novas melhorias na competitividade das exportações portuguesas poderão resultar em maiores ganhos na quota de mercado”.

Fonte: OCDE

Fonte: OCDE

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