Coronavírus

OCDE melhora previsões para a economia mundial

Foto: Hervé Cortinat/OCDE
Foto: Hervé Cortinat/OCDE

China e EUA explicam grande parte da revisão. União Europeia ajuda, mas menos. Vacinação em larga escala esperada apenas para o final de 2021.

A recessão económica mundial deverá ser histórica este ano, mas um pouco menos do que o previsto em junho. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) publicou esta quarta-feira as previsões intercalares para as grandes economias mundiais e, apesar de negro, o cenário está um pouco menos carregado do que no início do verão.

A economia mundial deverá registar uma contração de 4,5% neste ano, uma melhoria de 1,5% face aos 6% projetados há três meses. Já para 2021, a OCDE corta nas previsões, o que indicia uma recuperação económica mais lenta do que inicialmente projetado.

A revisão agora assumida é explicada, em boa parte, pelo melhor desempenho da China e dos Estados Unidos e, até certo ponto, da Europa, aponta a organização. “Consideráveis revisões em alta na China e nos Estados Unidos, e menores nas economias europeias, justificam a maior parte do ajuste ao crescimento global”, lê-se no relatório intercalar.

“A China é o único país do G20 [as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia] em que o produto deverá aumentar em 2020, devido ao surto do vírus ter começado mais cedo, o controle rápido e o apoio do Estado que permitiu uma recuperação acelerada da atividade”, apontam os técnicos da OCDE.

Para 2021, as previsões da organização sofreram ligeiras alterações, mas neste caso com revisão em baixa.

“Na maioria das economias, prevê-se que o nível de produção no final de 2021 se mantenha igual ou inferior ao que se encontrava no final de 2019 e consideravelmente mais debilitado do que o projetado antes da pandemia”, aponta a OCDE, indicando que “muitas das principais economias avançadas podem ter perdido o equivalente a 4/5 anos de rendimento per capita até 2021”, devido à pandemia de covid-19.

Tudo pode mudar
Mas tudo é incerto, sublinha a organização. “As perspetivas de crescimento dependem de muitos fatores, incluindo a magnitude e a duração de novos surtos de covid-19, o grau em que as medidas de contenção atuais são mantidas ou reforçadas, o tempo até que um tratamento ou vacina eficazes sejam implementados e a extensão das ações de política orçamental e monetária de apoio à procura”, apontam os técnicos da OCDE.

Neste cenário, a organização parte do princípio de que “a vacinação não estará amplamente disponível até o final de 2021.”

As previsões intercalares agora divulgadas assentam num cenário de uma única vaga pandémica de covid-19, apesar de se admitirem surtos localizados. Afastada está a hipótese se um novo confinamento total das economias como aconteceu em março e abril.

Neste cenário, assumem-se restrições localizadas à movimentação das pessoas e a utilização massificada de equipamentos de proteção individual, incluindo a obrigatoriedade do uso de máscara em alguns locais públicos.

A OCDE admite também restrições na circulação entre países. No caso português, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou ontem que um eventual encerramento de fronteiras será sempre uma decisão conjunta e que essa questão será analisada na sexta-feira com a homóloga espanhola.

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