conjuntura

OCDE. Quebra de 0,5 pontos percentuais no crescimento do PIB mundial em 2020

Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE. (EPA/RICCARDO ANTIMIANI)
Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE. (EPA/RICCARDO ANTIMIANI)

A desaceleração nas principais economias europeias deverá limitar crescimento da Zona Euro a 0,8%.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu esta segunda-feira em baixa de 0,5 pontos percentuais, para 2,4%, as estimativas para o crescimento mundial este ano, devido ao surto do novo coronavírus.

“Na assunção que os picos de epidemia na China no primeiro trimestre de 2020 e os surtos noutros países se provem moderados e contidos, o crescimento mundial poderia ser decrescido em cerca de 0,5 pontos percentuais [p.p.] este ano relativamente ao esperado nas previsões económicas de novembro de 2019”, pode ler-se no relatório das previsões económicas intercalares hoje divulgado.

Segundo o documento hoje conhecido, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na zona euro para 2020 também foi revisto em baixa, mas de 0,3 p.p., sendo agora estimado em 0,8%, à boleia das desacelerações da Alemanha (0,1 p.p. para 0,3%), França (0,3 p.p. para 0,9%) e Itália (0,4 p.p para uma estagnação da atividade económica – 0%).

O crescimento económico do Reino Unido foi também revisto em baixa de 0,2 p.p. para 0,8%, o dos Estados Unidos em 0,1 p.p. para 1,9%, o do Japão em 0,4 p.p. para 0,2% e o da Coreia do Sul, um dos países mais afetados pela doença Covid-19, em 0,3 p.p. para 2,0%.

Relativamente à China, a OCDE prevê reviu em baixa de 0,8 p.p. o crescimento económico de 2020, estimando agora 4,9% de aumento do PIB.

Apesar da revisão em baixa de 0,5 p.p. do crescimento económico mundial em 2020 devido ao surto do novo coronavírus, a OCDE adverte que um surto “mais duradouro e intensivo, alargado às regiões Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte enfraqueceria as perspetivas consideravelmente”.

“Neste caso, o crescimento mundial poderia descer para 1,5% em 2020, metade do número projetado antes do surto do vírus”, assinala a organização sediada em Paris.

Relembrando que a província chinesa de Hubei, origem do novo coronavírus, contribui para 4,5% da produção local, a OCDE destaca que “os declínios na produção na China foram sentidos rapidamente pelas empresas por todo o mundo, dado o papel chave da China nas cadeias de produção mundiais como produtora de bens intermediários, particularmente computadores, eletrónica, fármacos e equipamento de transporte”.

“Restrições às viagens e o cancelamento de muitas visitas, voos e eventos de trabalho e lazer estão a afetar severamente muitos serviços. É provável que isto persista por algum tempo”, segundo a OCDE, que assinala que os turistas chineses representam cerca de 10% do turismo internacional.

A organização presidida por Ángel Gurría defende ainda, no seu relatório, que “estímulos à política macroeconómica nas economias mais expostas ajudarão a restaurar a confiança, à medida que os efeitos do surto do vírus e as disrupções no lado da oferta desvanecem”.

“As baixas taxas de juro devem ajudar a amortecer a procura, apesar do impacto das mudanças recentes e projetadas na política de taxas de juro na atividade [económica] deva permanecer modesto nas economias avançadas”, segundo a OCDE.

Tanto na China como nas economias mais afetadas, a OCDE recomenda ainda que no curto prazo seja providenciada “liquidez ao sistema financeiro” por parte dos bancos, particularmente às pequenas e médias empresas, e que não deixem empresas abrir falência durante a aplicação de medidas de contenção do surto.

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