OCDE revê em alta maiores economias do mundo e duplica expansão dos EUA em 2021

Retoma de EUA, Alemanha e Espanha ganham gás face a dezembro. Para as exportações portuguesas, para o turismo, para a captação de investimentos, é bom. O pior é a incerteza no resto.

O crescimento das maiores economias do mundo este ano foi revisto em alta, e de forma significativa nalguns casos, exceção feita a três potências (China, Rússia e Arábia Saudita), revelou a Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Económico (OCDE), esta terça-feira, no panorama para a economia internacional, edição intercalar.

Os EUA voltam a ser o motor mundial: o ritmo de crescimento previsto mais do que duplica, para uns impressionantes 6,5%, diz a OCDE.

Mas há nuances. Por exemplo, a zona euro como um todo deve crescer com mais força do que se previa em dezembro, mas há sinais de divergência na força dessa retoma quando se olha com mais atenção para os países. Alemanha e Espanha devem crescer mais do que se calculava há três meses. França e Itália, nem por isso.

Outra nuance. A China pode vir a crescer um pouco menos em 2021, mas já regressou a níveis superiores aos registados antes da pandemia, observa a OCDE.

E, não menos importante, o outlook para os Estados Unidos mudou radicalmente em apenas três meses. O crescimento esperado daquela que é chamada "a maior economia do mundo" mais do que duplicou. A perspetiva de expansão em 2021 era de 3,2% em dezembro; agora já vai em 6,5%.

Este outlook, por ser intercalar, não traz projeções para economias mais pequenas, como Portugal. No entanto, a subida de nível na maior parte das projeções de grandes parceiros económicos do País acaba por ser uma notícia animadora.

Para as exportações portuguesas, para o turismo, para a captação de investimentos, eventualmente. Não significa que a retoma não fique aquém do desejado para reparar os danos de monta da pandemia mas, pelo menos há uma luz mais auspiciosa no final do túnel.

Em todo o caso, os riscos negativos que pairam sobre o ambiente internacional são significativos, releva a organização sediada em Paris. O nível de alerta é elevado, bem como a incerteza subjacente.

De acordo com o novo estudo, "as perspetivas económicas globais melhoraram de forma acentuada nos últimos meses, com a implantação gradual de vacinas eficazes, os anúncios de apoio orçamental adicional nalguns países e os sinais de que as economias estão a lidar melhor com as medidas aplicadas para deter o vírus".

A economia mundial pode crescer 5,6% este ano, mais 1,4 pontos percentuais do que o calculado no outlook de dezembro.

Como referido, a zona euro também regista uma ligeira promoção neste outlook: em vez de 3,6%, pode almejar a uma expansão real de 3,9%, este ano.

Mas, olhando para as grandes economias da moeda única, há realidades diferentes. A maior delas, a Alemanha, ganha duas décimas e pode vir a crescer 3%. Espanha, o maior parceiro económico de Portugal, deve avançar 5,7% em vez dos 5% computados em dezembro.

Já França e Itália, respetivamente, segunda e terceira maiores economias do euro, baixam uma e duas décimas, para 5,9% e 4,1%.

Pacotes de Trump e Biden decisivos

Fora da Europa, os Estados Unidos e a Índia são os grandes campeões nas revisões em alta. O pacote de estímulo orçamental que já vinha da administração do republicano Donald Trump é referido como importante no impulso para a retoma.

Mas a OCDE, agora, joga a maior parte das fichas no sucesso do American Rescue Plan (Plano de Ajuda Americano), que está a ser desenhado pelo novo executivo, do democrata Joe Biden. Avaliado em 1,9 biliões de dólares (cerca de 8,5% do PIB norte-americano), a OCDE considera que pode ser decisivo, apesar de o calendário das medidas ainda ser "incerto".

Na Europa, "nas principais economias avançadas, o ritmo de recuperação tem sido mais modesto, refletindo interrupções mais longas provocadas por novos surtos de vírus e reduções nas horas de trabalho em muitos setores dos serviços".

O perfil de especialização de algumas economias, "afeta as mais dependentes de viagens internacionais e turismo", levando a uma queda maior do PIB em 2020.

A OCDE refere ainda que "as medidas de contenção e as quebras na atividade associadas à mobilidade parecem ter, desta vez, um impacto adverso menor sobre a atividade do que nas fases iniciais da pandemia".

"Isso pode refletir uma afetação mais cuidadosa das medidas de saúde pública e dos apoios aos rendimentos. As restrições mais recentes concentram-se principalmente em setores de serviços com de contacto direto elevado entre consumidores e empresas, ao passo que indústrias e construção são apenas afetadas ao leve", explicam os economistas da OCDE.

Outra explicação para este confinamento penalizar, aparentemente, menos o crescimento, é o facto de empresas e consumidores também se terem "adaptado às mudanças no mercado de trabalho e nas restrições sanitárias".

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