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OCDE revê em baixa crescimento da zona euro numa era de tensões comerciais

Ángel Gurria, secretário-geral da OCDE
Ángel Gurria, secretário-geral da OCDE

A OCDE reviu em baixa as perspetivas de crescimento da zona euro. E não esconde que as consequências das tensões comerciais "são já visíveis”.

As perspetivas da OCDE para a economia mundial pautam-se agora por um tom mais cinzento. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico reviu em baixa as perspetivas para o crescimento económico global. A economia mundial, à luz destas novas estimativas presentes no relatório de Economic Outlook, deverá crescer 3,7% tanto este ano como em 2019. Salientando que este ritmo de crescimento continua a “ser elevado”, a organização não esconde que “reflete também perspetivas mais fracas do que o antecipado há alguns meses e algumas fragilidades”.

O crescimento do PIB “tornou-se menos sincronizado pelo mundo: continuando forte nos Estados Unidos, Índia e China”, mas estando a dar sinais de enfraquecimento em outros pontos do globo. A zona euro é uma das geografias onde se denota um arrefecimento. Isto porque a OCDE revê em baixa as estimativas de crescimento para este ano e para o próximo: 2% e 1,9%, respetivamente. A Alemanha, o principal motor do bloco económico, deverá também sofrer um abrandamento: a OCDE estima que a economia avance 1,9% este ano e 1,8% em 2019. A França também deverá seguir a mesma trajetória.

“Na Europa, alguns riscos políticos podem prejudicar o crescimento e a coesão social. O brexit é uma fonte óbvia de incerteza”. A OCDE alerta que “é vital que o acordo [de saída do Reino Unido da UE] assegure um relacionamento o mais próximo possível entre o Reino Unido e a União Europeia”.

Outro alerta deixado prende-se com a situação económica de Itália, a terceira maior economia do euro, e que, de acordo com as estimativas deste organismo, deverá crescer 1,2% este ano e 1,1% no próximo ano. “No caso de Itália, as finanças públicas precisam de respeitar as regras europeias, é necessário assegurar a sustentabilidade da dívida enquanto são privilegiados os investimentos produtivos, muito necessários, para aumentar o crescimento”.

A OCDE mostra-se ainda preocupada com os riscos a vários níveis – incluindo ao nível comercial e a reação das economias emergentes face ao aperto financeiro – “que estão a intensificar-se e a ensombrar as perspetivas para os próximos meses e anos”.

A escalada das tensões comerciais, verificadas ao longo dos últimos meses, e que surgiram depois de os Estados Unidos terem decidido aplicar taxas aduaneiras sobre a importações de bens, como é o caso do aço e das máquinas de lavar, deixaram já a sua marca na economia. “As consequências do crescimento das restrições comerciais são já visíveis. O comércio mundial de bens abrandou nos últimos meses, com impacto significativo nos setores diretamente visados. Por exemplo, os preços das máquinas de lavar para os consumidores norte-americanos dispararam 20% entre março e julho deste ano depois da imposição de tarifas. As importações americanas de aço da China caíram abruptamente, tal como as importações chineses de carros a partir dos EUA”.

Este cenário leva a OCDE a afirmar que “tarifas mais elevadas significam preços mais altos para os consumidores, menos investimento e menos empregos para os trabalhadores e, em última análise, perdas na produtividade e nos padrões de vida. Consideremos que 13 milhões de empregos nos EUA e oito milhões no Japão dependem, direta e indiretamente, do consumo externo”.

As economias emergentes não são esquecidas, com a OCDE a salientar que a Argentina – que teve recentemente de pedir ajuda ao FMI – e a Turquia “têm elevadas percentagens de dívida em moeda estrangeira, necessidades de financiamento externo e uma inflação doméstica elevada, tendo estado expostos à turbulência dos mercados cambiais”.

Perante este panorama descrito para a economia mundial, a OCDE defende que os políticos devem “ter como prioridade imediata” assegurar a manutenção da confiança empresarial e do investimento “reduzindo a incerteza política – incluindo através do restabelecimento do diálogo internacional para evitar a escalada de restrições comerciais”. Reforçar a resiliência do setor financeiro, é outra das notas da OCDE.

“Casos os riscos se materializem, há pouco espaço para a política monetária reagir nas economias desenvolvidas. Isto faz com que seja ainda mais importante que os países que têm agora um forte crescimento não ampliem os défices orçamentais para apoiar um consumo já vibrante”.

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