OE2018

Endesa diz que a secretaria de Estado da Energia “está nas mãos do BE”

Nuno Ribeiro da Silva, Presidente da Endesa Portugal. Fotografia: Savio Fernandes
Nuno Ribeiro da Silva, Presidente da Endesa Portugal. Fotografia: Savio Fernandes

Presidente da Endesa Portugal diz que "não se pode mudar uma vírgula" sem falar com o partido que suporta o Governo no parlamento.

O presidente da Endesa Portugal afirmou esta terça-feira que a secretaria de Estado da Energia “está nas mãos do Bloco de Esquerda” e que “não se pode mudar uma vírgula” sem falar com aquele partido que suporta o Governo no parlamento.

“A secretaria de Estado está nas mãos do Bloco de Esquerda. Não se pode mudar uma vírgula no que quer que seja sem que nos digam que é preciso falar com o grupo de contacto”, afirmou Nuno Ribeiro da Silva, durante a conferência organizada em Lisboa pela sociedade de advogados Miranda sobre o Orçamento do Estado para 2018 (OE2018).

Quando questionado sobre se o PCP também influencia as medidas adotadas nesta matéria, o empresário explicitou que é “sobretudo o Bloco de Esquerda”.

O presidente da energética espanhola em Portugal referiu-se ao cancelamento da barragem de Girabolhos, que a Endesa previa construir no Mondego num investimento superior a 400 milhões de euros e que abrangia os concelhos de Mangualde, Gouveia, Nelas e Seia, recordando a opção do executivo, inscrita no Programa de Governo, em que se prevê “reavaliar o Plano Nacional de Barragens no que diz respeito às barragens cujas obras não se iniciaram”.

“Uma coisa é andar no folclore partidário, mas outra é estar no Programa do Governo. É que no Programa de Governo é mais sério”, uma vez que os acionistas que investem são influenciados por isso, argumentou.

O presidente da Endesa defendeu ainda que não se pode exigir que os preços da energia desçam se os impostos sobem: “Dizem que a energia está cada vez mais cara [mas] sistematicamente surgem mais impostos na energia ao longo de toda a cadeia de valor”, apontou.

Nuno Ribeiro da Silva afirmou que “o custo da eletricidade no Mibel [Mercado Ibérico da Energia] subiu porque as centrais que estão são menos eficientes do que as que ficam de fora”, como é o caso das portuguesas cujos “custos de produção são mais caros” do que o das espanholas, o que faz com que “Portugal passe a ser importador líquido de energia”.

Ainda em relação às centrais, o empresário disse que, “ao não usar as centrais, nomeadamente a gás, Portugal não utiliza a infraestrutura de gás” e, dessa forma, “não dá receitas à infraestrutura gasista que tem um custo regulado e que tem de ser pago à REN, sim ou sim”.

Em consequência, “o preço do metro cúbico de gás que os consumidores vão pagar aumenta”, concluiu o presidente da Endesa Portugal que deixou uma crítica ao que considerou ser uma “lógica de canibalização no imediato”.

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