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OIT: Austeridade não trouxe produtividade nem emprego

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As políticas de moderação salarial adotadas por muitos dos países do euro na sequência da crise tiveram um "efeito limitado" na promoção do emprego. Esta é uma das conclusões da edição de 2015 do "outlook" do emprego mundial ontem divulgado pela Organização Internacional do Trabalho.

Numa análise à evolução recente dos salários e da completividade na Europa, a OIT estima que na UE o desemprego continuem a rota de descida iniciada em 2014, mas avisa que esta será lenta devendo passar de 10,2% no ano passado para 9,9% em 2015 e 9,5% em 2017. Ao nível salarial e depois das perdas registadas, não se estimam ainda mudanças significativas até porque o ritmo de ofertas de emprego não cria pressão sobre os empregadores.

O desemprego jovem é também salientado neste estudo pelas elevadas taxas que têm registado nos últimos anos, sendo que a OIT estima que a falta de trabalho entre os mais novos se manterá em média 3 vezes acima da taxa de desemprego geral. No centro das preocupações, pelos riscos de pobreza e de exclusão social que acarreta, está também o desemprego de longa duração. Nesta matéria, o relatório da OIT destaca o facto de na União Europeia a média da taxa dos que estão sem trabalho há mais de um ano ter subido de 38,5% em 2008 para 50% no sente trimestre de 2014. Portugal regista a terceira taxa mais elevada com 62,4% de desemprego de longa duração. Apenas a Grécia e Itália ostentam valores mais elevados.

De acordo com a OIT, no final de 2014, o desemprego afetava 201 milhões de pessoas – o que traduz uma subida de 31 milhões face ao universo contabilizado antes da crise se instalar. Ao longo de 2015, a Organização estima que se registe um acréscimo de 3 milhões de desempregados e que em 2019 serão mais 8 milhões.

O relatório da OIT chama ainda a atenção para o fosso que está a criar-se entre os mais ricos e os mais pobres, acentuando que em algumas economias avançadas onde tradicionalmente as desiguales eram menores, se registou um agravamento com a crise, tendo havido uma aproximação dos níveis observados nas economias emergentes.

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