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OIT estima que plano Juncker pode criar 2,1 milhões de empregos

OIT estuda impacto do plano Juncker na criação de emprego
OIT estuda impacto do plano Juncker na criação de emprego

A Organização Internacional de Trabalho estima que o plano de investimento e de crescimento apresentado pelo presidente da Comissão Europeia pode impulsionar a criação de mais de 2,1 milhões de empregos até 2018. O êxito deste plano no combate à crise do emprego na Europa está dependente da forma como for direcionado.

O Fundo Europeu para o Desenvolvimento Estratégico deverá arrancar em junho, havendo a expectativa que venha a alavancar um conjunto de investimentos da ordem dos 315 mil milhões de euros neste triénio. Este plano terá um impacto significativo no combate ao desemprego na União Europeia se estimular o investimento privado, sobretudo se não deixar de fora as empresas de dimensão média e se for direcionado e diferenciado em função do nível de desemprego de cada Estado-membro.

Num estudo intitulado “Uma estratégia de investimento para a Europa orientada para o Emprego”, hoje divulgado, a OIT acentua que, o plano apresentado por Jean-Claude Juncker no final do ano passado e que serviu de bandeira à sua candidatura ao Executivo comunitário, não pode ser indiferente às “enormes disparidades” da taxa de desemprego que se verificam nos diferentes países da UE, devendo assegurar que as “economias com maiores necessidades possam ser beneficiadas”. Se não existirem estas preocupações, “o plano terá pouca ou nenhuma relevância nas perspetivas de emprego da UE”.

Nos 28 países da UE há cerca de 23 milhões de pessoas sem trabalho, entre as quais se contam cerca de 12 milhões sem trabalho há mais de um ano. Estes números refletem o ambiente de crise de emprego que se tem revelado mais difícil de combater. Desde que a crise financeira rebentou, a taxa de desemprego média da UE tem superado os 10%, estando 3 pontos percentuais acima da taxa observada antes de 2008.

Mas estes números gerais não escondem a realidade mais negra de alguns países, como Grécia e Espanha, onde o desemprego afeta mais de 23% da população ativa. Portugal está também no grupo de países com taxas mais elevadas e apresenta o 6º maior rácio de desempregados de longa duração.

“O desafio está em garantir que os responsáveis políticos a nível europeu evitem um cenário de evolução sem mudança, que poderia fazer com que os fundos não cheguem aos países e aos sectores que mais necessitam”, alerta o relatório, referindo que uma entrada de recursos nos países com maiores dificuldades e onde o investimento privado continua débil, “estimularia a afetação de recursos para atividades estratégicas e de alto valor”.

Esta situação conjugada com o crescimento anémico que se espera para as economias da UE (que têm sido revistas em baixa) leva a OIT a encarar o plano da CE com optimismo e para o sucesso do qual pode contribuir de forma relevante o recente plano de compra de dívidas (publica e privada) anunciado pelo Banco Central Europeu.

Vários cenários estudados pela OIT indicam que se nada for feito e se o emprego evoluir apenas ao ritmo do crescimento económico, não evoluirá mais de 0,6%. Mas se o emprego centrar as atenções de 63 mil milhões de euros daquele plano de investimento poderão ser criados 430 mil postos de trabalho.

Este número de empregos aumentará para os 2,1 mil milhões se o plano Juncker for formulado e direcionado para projetos que marquem efetivamente a diferença.

A OIT alerta ainda que este plano deve ser acompanhado de reformas laborais e de políticas de formaçõa profissional que evitem a degradação das habilitações sobretudo dos que ficam mais tempo afastados do mercado de trabalho.

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