Aeronaútica

Olhe para o céu. Já está a ver cerca de 1% do PIB português no espaço

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Aeronáutica, espaço e defesa geram um volume de negócios de 1,72 mil milhões de euros e dão emprego a 18 500 pessoas.

Foi Nicolas Sarkozy que colocou o tema “Espaço” na agenda da União Europeia. Quando na segunda metade de 2008 a França assumiu a presidência rotativa do Conselho da UE, o então presidente francês considerou a indústria espacial uma prioridade.

Nessa altura, as empresas portuguesas de aeronáutica, espaço e defesa tinham um peso mínimo no mercado, quer nacional quer internacional. Focadas em necessidades estatais, pouco olhavam para o privado. Hoje, a realidade é bem diferente. O setor tem um volume de negócios de 1,72 mil milhões de euros, equivalendo a quase 1% do PIB português. Congrega cerca de 70 empresas e é responsável por 18 500 postos de trabalho. Trabalha com grandes gigantes a nível global, como a Boeing e a Airbus, e exporta quase a totalidade dos seus produtos.

Os números são apresentados pela AED Portugal. A Federação Portuguesa de Aeronáutica, Espaço e Defesa está a preparar a sua conferência anual internacional e no evento, que terá lugar nos dias 27 e 28 de outubro, em Lisboa, vai mostrar que Portugal é cada vez mais relevante, sobretudo a nível europeu.

“Vamos assinar um protocolo de colaboração entre o governo português e o Clean Sky, que é o programa europeu de aeronáutica. Por outro lado, vamos dar a conhecer o Polo Tecnológico de Évora, que tem ganho um grande relevo a nível nacional”, revelou José Marcelino, presidente do conselho de administração da PEMAS, a associação portuguesa para a indústria aeroespacial.

Embraer: nova Autoeuropa
É em Évora que se situam as fábricas da Embraer. A construtora de aviões brasileira é a terceira no mercado mundial, a seguir à europeia Airbus e à norte-americana Boeing. No verão, Paulo Marchioto, presidente da Embraer Portugal, revelou que a empresa tinha dois projetos em curso no valor de 93,6 milhões de euros, assegurando que em Évora a construtora contava com 415 funcionários diretos, mais cem estagiários e à volta de 112 prestadores de serviços. Os colaboradores são quase na sua totalidade portugueses e cerca de 30% possuem um curso superior.

A AED Portugal acredita que a indústria de aeronáutica, espaço e defesa pode ter um impacto maior na economia portuguesa do que o setor automóvel teve nos anos 1990. A federação calcula que surjam mais de 1500 empregos nesta área até 2020. A Embraer pode ser a nova Autoeuropa.

A maior vantagem competitiva que Portugal oferece deixou de ser o preço baixo e passou a ser a qualidade da tecnologia. “A média universitária mais alta deixou de ser Medicina e passou a ser Engenharia Aeroespacial e, graças ao dinamismo do setor, estamos a conseguir manter estes cérebros em Portugal”, assegura António Neto da Silva, chairman da Proespaço, a associação portuguesa das indústrias do espaço.

Pela primeira vez, Portugal foi admitido como sócio no Clean Sky. O programa europeu é uma parceria público-privada entre a Comissão Europeia e empresas do setor aeronáutico.

No evento da AED Portugal será assinado um acordo para o desenvolvimento do Projeto Pássaro, que tem um orçamento de 5,5 milhões de euros e um financiamento de 4,5 milhões. O projeto será coordenado entre a Caetano Aeronautics, o ISQ e o INEGI, representando a parte das entidades nacionais, com a Airbus Defense and Space.

O Pássaro arrancou em julho e tem como objetivo desenvolver e testar materiais, de forma a integrar tecnologias inovadoras que permitam melhorar a segurança, a eficiência e a sustentabilidade dos aviões. É mais uma aposta do país num setor que está em franco crescimento. “Calcula-se que até 2050 a frota de aviões nos céus europeus aumente entre 25% e 35%”, assegura João Romana, da AED Portugal.

A participação portuguesa no campo europeu tem também crescido de forma exponencial. Se em 2007 representava 1%, atualmente já ultrapassa os 2,5% e no programa Clean Sky vai em 4%. “Obviamente que a nível global estamos atrás de Israel, Turquia ou Polónia,” explica, “mas isso também tem que ver com questões de segurança nacional. Felizmente não temos tantas preocupações como esses países”.

Apesar disso, também no setor das indústrias de defesa, Portugal vai dando cartas. “Temos uma boa vantagem competitiva. Por um lado, não somos concorrentes estratégicos dos potenciais mercados. Por outro, as nossas tecnologias não são de topo, são intermédias, ou seja, podem ser replicadas em 10 ou 15 anos”, explica José Cordeiro, da Associação Portuguesa das Indústrias de Defesa.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
Fotografia: REUTERS/Brendan McDermid

Principais bancos em Portugal vão continuar a reduzir exposição ao imobiliário

Fotografia: REUTERS/Brendan McDermid

Principais bancos em Portugal vão continuar a reduzir exposição ao imobiliário

SaudiAramco

Petrolífera Aramco consegue maior entrada em bolsa da história

Outros conteúdos GMG
Olhe para o céu. Já está a ver cerca de 1% do PIB português no espaço