Olimpíadas do Turismo para atrair alunos do 3.º ciclo

Mais de meio milhar de alunos já se inscreveram na iniciativa. Organizadores acreditam que a atividade vai voltar a criar oportunidades de emprego

Apesar de a atividade turística estar a atravessar dias difíceis devido à pandemia, as Escolas do Turismo de Portugal acreditam que o setor voltará a ser importante para o emprego, criação de empresas e inovação. Por esse motivo, lançaram, pela primeira vez, as Olimpíadas do Turismo, uma iniciativa que arranca na próxima terça-feira, dia 20, em parceria com a consultora SFORI.

A ideia é promover a oferta formativa e opções de ensino no setor do turismo, com foco em alunos com idades entre os 13 e os 14 anos, ou seja, que estejam a terminar o terceiro ciclo e a ponderar quais as vias ao nível do ensino secundário.

As Olimpíadas "funcionam como um momento de sensibilização e demonstração das mais-valias das profissões conexas com o turismo", explica ao Dinheiro Vivo Alexandre Real, partner da consultora SFORI.

Ana Paula Pais, diretora de Formação das Escolas do Turismo de Portugal, acrescenta que "o terceiro ciclo da escolaridade obrigatória é o momento ideal para despertar nos jovens interesse e curiosidade sobre o mundo do turismo". "Ao dar-lhes a conhecer o setor desde cedo, contribuímos para que tenham um olhar diferente sobre as suas possibilidades no mundo laboral: o turismo voltará a ser muito relevante ao nível da empregabilidade e é também um meio muito rico ao nível das oportunidades de empreendedorismo e inovação. Por outro lado, é essencial fomentar nos mais jovens uma cultura de hospitalidade: não são só os que trabalham diretamente em turismo que têm um papel ativo, todos podem dar o seu contributo para o setor prosperar", diz ainda.

A primeira edição das Olimpíadas conta com mais de 550 estudantes inscritos, oriundos de escolas de todo o País. Mas o interesse em profissões ligadas ao setor não tem despertado só interesse nos mais jovens. E nem a pandemia parece ter arrefecido o apetite. "As Escolas do Turismo não têm sofrido com quebras na procura da formação inicial para os jovens, muito pelo contrário. No último ano tivemos um crescimento de 13% da procura dos nossos cursos e, ao nível da formação executiva, o crescimento foi crescimento exponencial", explica Ana Paula Pais.

Se antes da pandemia, o turismo tinha uma escassez de mão-de-obra, na casa das 40 mil pessoas, o covid-19 provocou uma travagem a fundo nesta atividade. Muitas empresas, como da hotelaria, optaram por encerraram portas nos últimos meses, estando os funcionários em casa. Mas, mesmo com esta travagem, a responsável das Escolas do Turismo de Portugal considera que "faz todo o sentido preparar desde já o futuro. Os ciclos formativos são longos - entre 1,5, 3 e 5 anos letivos, dependendo da idade em que os jovens iniciam a sua formação - e a nossa capacidade de resposta está longe de responder totalmente às necessidades das empresas em termos de recursos humanos qualificados".

Além disso, a pandemia trouxe mudanças, incluindo na forma como os consumidores encaram o turismo e lazer. "Há novas qualificações para assegurar, pelo que estamos a desenvolver novas ofertas formativas a lançar nos próximos anos. Não temos dúvidas que o setor voltará a ter a sua dinâmica e que, independentemente de ter as mesmas necessidades quantitativas que tinha num passado recente, precisará sobretudo de profissionais mais qualificados e com competências reforçadas", defende Ana Paula Paiva.

Alexandre Real complementa dizendo que "além de boas competências técnicas, as competências comportamentais serão fundamentais para os próximos anos, necessitaremos principalmente de profissionais flexíveis, resilientes e criativos".

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