Indústria Têxtil Vestuário

Onda ecológica dos têxteis portugueses ‘inunda’ Paris

Fotografia: Direitos Reservados
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A capital francesa acolhe mais uma edição da Primière Vision, de 11 a 13 de fevereiro

Arranca esta terça-feira, na capital francesa, mais uma edição da feira de referência de matérias-primas do mundo, a Première Vision Paris, e Portugal marca presença com uma “vasta representação empresarial”, que abarca todos os sectores da fileira têxtil. A sustentabilidade e os artigos amigos do ambiente estão em força.

A.Sampaio, Acatel, Albano Morgado, Anjos & Lourenço, Avelana, Bordados Oliveira, Crispim Abreu, Familitex, Filasa, Fitecom, Joaps, João & Feliciano, Lemar, Le Europe|La Estampa, Lima & Companhia, Lipaco, LMA, Luís Azevedo & Filhos, Lurdes Sampaio, NGS, Otojal, R. Lobo, RDD, Sidónios, Solinhas, Soeiro, Texser, Tintex, Trifitrofa, Trimalhas e Troficolor compõem a vasta comitiva de empresas que estará presente na Première Vision com o apoio do projeto From Portugal, ao qual se junta ainda a presença de outros nomes da indústria nacional, como a Adalberto Estampados, a Gierlings Velpor, a JF Almeida, a Paulo de Oliveira, a Penteadora, a Riopele, a Somelos, a Tessimax e a TMG.

Ao longo dos três dias do evento são esperados dezenas de milhares de visitantes, sobretudo profissionais do sector da moda e vestuário, à procura das novas tendências para a próxima estação. Compradores, distribuidores, designers e representantes de grandes marcas internacionais fazem parte do universo de visitantes que tradicionalmente rumam à feira de Paris. Perante uma audiência tão especializada, a indústria portuguesa “reforça a imagem de produtor sustentável e capaz de respeitar as novas exigências do mercado”, destaca a Selectiva Moda em comunicado.

A Joaps, empresa especializada em malhas, é uma das que em Paris vai apresentar uma nova coleção focada nos produtos ecológicos. Carla Araújo, gestora comercial, explica que esta “continuar a ser uma das principais feiras” em que a empresa participa, recebendo “marcas de todo o mundo” com “grande potencial de encomendas”. E, por isso, a Joaps continua a “apresentar investimentos no melhoramento da qualidade, sustentabilidade e também inovação”.

Ricardo Ferreira, CEO da Siena lembra que a Primière Vision Paris é a feira “com mais prestígio na área dos tecidos e fabricantes de moda”. A empresa, que trabalha para clientes de mercados mais maduros, como a França, a Europa do Norte e a América do Norte, apresenta em Paris a sua nova coleção, também com um forte aposta em fibras mais sustentáveis.

Trifitrofa, empresa especializada no comércio de fios, procura também destacar-se pela aposta em artigos sustentáveis. “Queremos aumentar os negócios a nível externo e para isso focamo-nos no algodão orgânico em diferentes cores e mesclas”, afirma João Lima. França e Itália são os principais mercados que a empresa da Trofa procura atingir.

No stand da Lurdes Sampaio, os holofotes estarão também centrados na produção responsável. “As grandes novidades estão na nossa linha Green Collection: temos propostas com fibras naturais orgânicas, fibras recicladas e biodegradáveis, sendo esta a nossa gama de maior peso em todo o catálogo”, explica Conceição Sá, CEO e co-fundadora da empresa de Famalicão, especializada em malhas. “Temos boas expectativas, o mercado dos Estados Unidos continua a crescer, e alguns mercados na Europa estão com uma dinâmica interessante”, reitera.

Belmira Rodrigues, representante da têxtil Albano Morgado, assume que as expectativas “são sempre altas” nesta feira, já que “junta profissionais de todo o mundo, promove o networking com atuais e potenciais clientes assim como permite reunir com os vários agentes”. Historicamente vocacionada para os tecidos em lã, a empresa dá a conhecer em Paris novos desenvolvimentos com algodões orgânicos e linhos.

O Undyed Cotton, uma fibra sustentável, que permite uma poupança de dez litros de água por cada quilograma de malha produzida, é a grande novidade que a RDD, marca do grupo Valérius, leva à Première Vision. “Para além de evitar o desperdício, esta gama de algodão não processado expressa uma estética minimalista e intemporal”, adianta Elsa Parente, CEO da empresa.

Com o mantra da sustentabilidade como pano de fundo, também a Troficolor procura afirmar uma nova coleção de produtos. Especializada em gangas, a empresa vai apresentar uma vasta gama de artigos orgânicos, sustentáveis e reciclados, de onde se destaca o upcycling de antigas coleções. “Com esta solução repensamos e recriamos produtos, logo gastamos na sua produção 0% de água, 0% energia, 0% agentes químicos, e produzimos 0% emissões C2”, Carlos Serra, CEO da têxtil da Trofa.

Na Luís Azevedo & Filhos, as grandes luzes são também verdes. “Temos uma série de artigos sustentáveis, já a última coleção foi nesse sentido e foi muito bem aceite”, comenta Sílvia Azevedo, representante da empresa, que procura chegar ao mercado francês, espanhol e escandinavo.

“Nesta edição vamos apresentar uma multiplicidade de tendências nos vários produtos em malhas e tecidos. Temos uma fusão entre moda urbana, contemporânea e influencias desportivas”, destaca Antonieta Barbosa, responsável da Soeira, empresa de confeção especializada em moda feminina.

“Continuamos a aposta nos materiais sustentáveis, sejam eles reciclados, biodegradáveis, etc. As fibras de alto valor acrescentado e as fibras técnicas são também o foco da nossa coleção”, esclarece, por seu turno, João Mendes, administrador da A.Sampaio, empresa de malhas de Santo Tirso. Já a La Estampa viaja para Paris à conquista de novos mercados. “Estamos focados na prospeção de novos clientes, principalmente de França, Itália, Suécia e Espanha”, afirma Joana Silva.

A participação das empresas portuguesas na Première Vison é uma iniciativa da Selectiva Moda e da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, que conta com o apoio do Compete 2020.

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