Coronavírus

Onofre: Calçado “está a viver um dos períodos mais difíceis da sua história”

Luís Onofre, com o ministro Siza Vieira, de visita ao seu stand na feira de Milão. Fotografia: DR
Luís Onofre, com o ministro Siza Vieira, de visita ao seu stand na feira de Milão. Fotografia: DR

Luís Onofre, que esta quarta-feira tomou posse para um segundo mandato na APICCAPS, pede aos empresários que “não desistam” e ao Governo que ajude a criar um mercado “livre e justo” na UE

O calçado e vestuário querem que o Sistema de Preferências Generalizadas da União Europeia, como forma de impedir a entrada na Europa de produtos de dez dos vinte maiores produtores mundiais, “em condições especiais”, por se tratarem de “países supostamente menos desenvolvidos”. O tema é uma das prioridades de Luís Onofre, que esta quarta-feira tomou posse para um segundo mandato na presidência da Associação do Calçado, a APICCAPS, lembrando que o sector “está a viver um dos períodos mais difíceis da sua história”.

“A Europa tem de aproveitar este momento difícil para redefinir algumas posições. Ao longo das últimas décadas, o vestuário e o calçado foram, em Bruxelas, vistos como sectores menos importantes”, diz Luís Onofre, que lembra que a APICCAPS “sempre defendeu um comércio livre, justo e equilibrado”, pedindo, agora, ao Governo, e em especial ao ministro da Economia, Siza Vieira, “uma especial atenção para este tema”. Para o empresário e líder do cluster do calçado, “não faz sentido facilitar a entrada no nosso mercado a competidores que, em muitos dos casos, não cumprem as nossas exigentes regras ambientais e sociais”.

Onofre assume que o tema da alteração ao Sistema de Preferências Generalizadas da União Europeia, cujo regulamento atualmente em vigor é válido até 2023, tem sido tratado no seio da Confederação Europeia do Calçado, a que preside, também, um processo que “não tem sido fácil”, admite. Um tema que estava na agenda do sector já em fevereiro, mas cuja análise foi prejudicada pelo contexto de pandemia. No entanto, Luís Onofre garante que, “mesmo enfrentando esta concorrência desleal”, os sectores da moda “são dos poucos” em que a Europa “ainda consegue ter uma capacidade de liderança mundial”. “Permita-me aqui uma referência aos nossos parceiros do setor da moda com quem, ao longo dos últimos meses, temos trabalhado em conjunto com o Ministério da Economia num plano de ação articulado. Assim conseguiremos vingar nos mercados internacionais”, sublinhou, numa referência à Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção (ANIVEC).

Três anos depois da primeira eleição, Luís Onofre tomou posse para um segundo mandato “com sentido de dever cumprido”. Para este segundo mandato, pautado pela pandemia de covid-19, que “esmagou o mundo de forma global e implacável, com um impacto que só se conhecia em tempos de guerra”, levando a uma “quebra drástica na procura” e a “graves perturbações” nas cadeias de abastecimento, o presidente da APICCAPS elegeu a integração de recursos humanos qualificados como um dos “grandes imperativos” do futuro. Escolheu, por isso, a Escola Secundária de Felgueiras para a cerimónia, que contou com a presença do ministro do Estado, da Economia e da Transição Digital e do secretário de Estado da Economia, João Neves, como símbolo da “importância decisiva” atribuída a todas as estruturas de formação dirigidas ao sector.

O reforço “muito substancial” da presença do calçado português no mundo é o segundo dos imperativos elencados. “A qualidade dos nossos produtos tem de atingir patamares superiores para que possamos chegar aos mais exigentes mercados internacionais, lado a lado com os melhores. Não nos podemos resignar a ser os segundos melhores. Temos de ter produtos tão bons como os melhores. E temos de os promover intensamente”, defende. Razão porque pede uma “majoração dos apoios à internacionalização”.

Por fim, a inovação. “Temos de nos preparar, para estar na liderança mundial, no desenvolvimento de soluções sustentáveis. E temos também de trabalhar intensamente o tema da digitalização, para responder às transformações em curso na distribuição e retalho de calçado”, frisa.

Depois de saudar o “poder de fogo singular” que a Europa conseguiu reunir no recente acordo sobre o plano de recuperação económica, o presidente da APICCAPS felicitou o Governo pela “resiliente e inquebrável negociação que conseguiu conduzir com os parceiros europeus”, e terminou com uma palavra especial para os empresários. Os próximos tempos “não serão fáceis”, admite, no entanto, Luís Onofre garante que “este não é um momento de desistir”. “Somos um sector de gente resiliente, que sempre enfrentou desafios e lutas. Esta é mais uma e, certamente, saberemos dar a volta por cima, como sempre fizemos”, frisou.

Com cerca de 1500 empresas e quase 40 mil trabalhadores, segundo os últimos dados disponíveis, referentes a 2018, a indústria do calçado aumentou as suas exportações 30% em volume e 47,3% em valor, na última década. Mas, em 2019, as exportações caíram 5,7% para 1791 milhões de euros. Este ano, no acumulado dos primeiros cinco meses, estão a cair 20,6% para 555 milhões de euros.

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