As ópticas não escaparam aos efeitos da pandemia pelo novo coronavírus, apesar de não terem suspendido a prestação de serviços durante o Estado de Emergência. As quebras globais na faturação do setor, que responde por 1581 empresas e 8390 postos de trabalho, no período do Estado de Emergência oscilaram entre 68 e 72%, revela um estudo da Universidade Católica, solicitado pelo grupo Visão Partilhada, que integra retalhistas, grandes grupos e indústrias do setor, e a Associação Nacional dos Ópticos.
Para mitigar os efeitos da crise que se abateu sobre a atividade, o estudo identifica a necessidade de aumento do fluxo de clientes e do tráfego em loja, recomendando a introdução do cheque-óculos, uma medida já prevista no programa de Governo, e que potencialmente gerará uma despesa entre 85 a 100 milhões de euros.
O estudo aponta também para a premência de capital para o médio-longo prazo, com vista a assegurar a manutenção dos postos de trabalho, implementação de medidas de segurança e proteção individual e o cumprimento do serviço de dívida. Os autores do relatório advogam ainda que a revisão do IVA e flexibilização de prazos de pagamento de impostos poderão ser medidas com efeitos benéficos na retoma do setor.
A atividade das ópticas, que responde por um volume de negócios anual da ordem dos 580 milhões de euros, admite que poderá registar este ano quebras nas vendas entre 45% e os 65%, caso o país viva uma segunda vaga de confinamento nos meses de outubro, novembro e dezembro. Contas feitas, as perdas de faturação podem rondar os 250 a 400 milhões de euros.
O estudo revela que a recuperação total nunca acontecerá antes de 2024.
