Ostras salvam salinicultura na ria de Aveiro

Produzir sal pode ser atividade turística
Ilha dos Puxadoiros, em Aveiro, é um exemplo de como Portugal pode tirar partido dos recursos do mar através da diversificação das atividades, concluiu a ministra Assunção Cristas, que visitou ontem o projeto."> Produzir sal pode ser atividade turística

A Ilha dos Puxadoiros, em Aveiro, é um exemplo de como Portugal pode tirar partido dos recursos do mar através da diversificação das atividades, concluiu a ministra Assunção Cristas, que visitou ontem o projeto.

A salinicultura deixou há muito de ser rentável – uma tonelada, “bem
vendida, fica por 80 euros”, adiantou Vergílio Rocha, gerente da empresa
Canal do Peixe, detentora do projeto da Ilha dos Puxadoiros que, ontem,
a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, visitou. Conjugando
salinicultura, agricultura, aquacultura e turismo de natureza, o projeto
é, segundo a ministra, “é um bom exemplo”. Daqueles que “o PROMAR apoia
e para os quais ainda há dinheiro e, de futuro, mais dinheiro haverá,
através do Mar 2020 [400 milhões de euros]”, com o objetivo de
“ganharmos escala, criarmos riqueza a partir do mar e postos de
trabalho”.

De acordo com a ministra, estão em apreciação “72 projetos de aquacultura, dos quais 42 em Aveiro e 30 no Algarve”. A criação de ostras – produto exportado quase a 100% para França, que aprecia particularmente as ostras portuguesas – tem um potencial maior quando se descobre que, na ria de Aveiro, as “sementes” de ostra atingem a maturidade em metade do tempo (apenas um ano).

Na Ilha dos Puxadoiros, a criação de ostras arrancou, em janeiro deste ano, com 1,5 milhões de exemplares, mas, de acordo com Vergílio Rocha, um dos sócios do projeto, “tem potencial para 17,5 milhões em 20 hectares”. Esta vertente do projeto, que custou um milhão de euros, é apoiada em 60% pelo PROMAR e poderá implicar nova candidatura, no futuro, para “uma depuradora, para assegurar a qualidade das ostras”.

Nos restantes 15 hectares que a empresa detém com 14 investidores, explora-se o turismo de natureza de baixa densidade (é possível alugar a ilha para passar um fim de semana a observar pássaros, por exemplo), a salinicultura e a produção e transformação da salicórnia (uma planta que cresce junto a água salgada e permite substituir o sal na cozinha, muito consumida no Norte da Europa e que a empresa já começou a exportar para o Brasil, em conserva e em pó gourmet).

“Recuperámos uma salina com mais de 500 anos, mantendo a produção manual e com ferramentas tradicionais, estamos a recuperar os muros com lama e madeira, como antigamente, e mantivemos a circulação de água original, porque descobrimos que a memória aumenta a sustentabilidade do projeto, algo muito importante para nós”, resumiu Vergílio Rocha.

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