Web Summit 2018

Paddy está apaixonado pela iluminada Lisboa

O líder da Web Summit fala de forma poética da capital portuguesa, casa dos próximos 10 anos do evento. Os seus hábitos e locais de eleição na cidade a que chama casa (graças ao Airbnb) vários dias por ano.

Aos 35 anos, Patrick Cosgrave, mais conhecido por Paddy, é um empreendedor irlandês que, em poucos anos, tornou uma pequena conferência nascida em Dublin, na Irlanda, numa das conferências mais respeitadas e populares a nível mundial. E, desde 2015 que o slogan associado à Web Summit, “a maior conferência de tecnologia do mundo”, passou a ter como ponto de partida e de chegada Lisboa.

O que significa, então, a capital portuguesa para Paddy Cosgrave? Foi isso que tentámos saber esta semana, falando com o irlandês que é fundador e CEO da Web Summit. O que ele nos contou mostra não só uma relação surpreendente que tem crescido e dado frutos – ao ponto de Lisboa ter garantido ser ‘casa’ dos próximos 10 anos do evento –, mas também ao estilo e personalidade acessível e simples (mas incrivelmente curiosa) do mestre de cerimónias do evento.

Mal começámos a conversa com Paddy, que decorreu esta sexta-feira, a primeira história reveladora da sua popularidade em território nacional. O irlandês tinha ido, instantes antes, buscar um café a um dos seus sítios preferidos, a coffee shop Fábrica (além de terem uma carrinha no Parque das Nações, bem perto da casa da Web Summit, também têm espaços no centro de Lisboa que Paddy conhece).

“Estava na fila e quando chegou a vez de pedir, percebi que não tinha dinheiro, só cartão, mas mal perceberam que eu era ‘aquele tipo da Web Summit’ quiseram-me dar o café à borla”. A popularidade em Portugal, claramente, não é só junto dos governantes portugueses – que marcam sempre presença no evento, do primeiro-ministro ao presidente da República. Apesar disso, Paddy sabe que “é impossível agradar a todos” e tem boa experiência disso mesmo na sua terra Natal, a Irlanda.

Este irlandês lisboeta (parte do ano) vive e trabalha a maioria do tempo em Dublin, onde é a sede oficial da Web Summit. Isto quando não está em conferências ou encontros com governantes, investigadores e afins de todo o mundo. Vem várias vezes durante o ano a Lisboa, para preparar a Web Summit, um trabalho constante de que também fazem parte as outras conferências de menor dimensão que a sua equipa organiza (Collision, nos EUA – vai passar para o Canadá –; MoneyConf, este ano na Irlanda e RISE, em Hong Kong).

A já famosa forma simples como se veste mesmo junto aos governantes dos principais países faz parte do seu estilo de vida, que também se manifesta na forma como passa tempo em Lisboa. As calças de ganga, t-shirt ou camisola de lã feita pela sua mulher não vão ser trocadas pelo tradicional fato. Paddy acha mesmo que a maioria dos governantes e empresários usa fato, “uma espécie de armadura”, porque é obrigado. “São desconfortáveis”, diz. O único que tinha perdeu-o há cinco meses num hotel na Coreia do Sul e ainda não o substituiu.

Paddy admite com entusiasmo que “Lisboa tem-se revelado um sítio mágico” e que “Portugal está a atravessar um momento único”. “Quando a Web Summit chegou a Portugal [em 2015] já sentíamos entusiasmo no ar à volta de tecnologia, inovação e empreendedorismo” e, com o crescimento da comunidade de startups, “as multinacionais começaram a pensar em Lisboa como hub europeia”. Daí que Paddy admita que a Web Summit “alimentou-se desta atmosfera, da cidade, da cultura” e até apresente números: “um estudo recente diz que o ecossistema nacional de startups está a crescer ao dobro da média europeia”. “Tem sido fantástico ver esta evolução”, diz, falando da presença de centros da Google, Mercedes ou Amazon” e num “futuro promissor” nos próximos anos.

Passear na cidade iluminada

Nascido e criado numa quinta, em Wicklow, Irlanda, é no meio da natureza que se sente melhor, daí que não seja surpreendente que adore ir a Sagres fazer surf com o irmão (a mulher também pratica), embora admita que só foi três vezes. “Adoro aquela zona do Algarve, tão intocada e natural”, admite.

Quando está em Lisboa já para a Web Summit fica num hotel, o VIP Executive Art’s Hotel, perto do Altice Arena, “o local onde o nosso Mundial acontece”. A família, que inclui a mulher (ex-modelo que conheceu na faculdade), o filho de dois anos, o irmão e o pai, chegou este sábado e fica como sempre, num Airbnb alugado, no centro da cidade. A localização não é por acaso. Fica bem junto ao Mercado da Ribeira, onde a Web Summit tem há pouco mais de um ano os seus escritórios lisboetas.

É nessa zona que Paddy costuma ficar nas várias vezes que vem à capital. Uma manhã típica do líder da Web Summit por cá, implica acordar pelas 7h e ir ao Comoba, um café na Rua de São Paulo, com refeições saudáveis e rápidas e que pertence a um inglês e dois portugueses. “Abre cedo e tem brunch e bons pequenos almoços, chegou a ir duas a três vezes por dia lá”. E além de se alimentar o que faz por lá Paddy? “Gosto de ler livros ou trabalhos académicos”. Na semana antes da sua Web Summit, o irlandês nascido a 19 de março 1983, admitiu ainda que esteve mais do que um dia sem o telemóvel: “gosto de afastar do vício do smartphone de vez em quando, para mim é mais saudável e foco-me no trabalho no portátil”. Daí que tenha adorado a nova funcionalidade de contabilização do tempo de ecrã no novo iOS da Apple.

Leia o nosso desafio a Paddy Cosgrave que juntou o líder da Web Summit com 10 estudantes portugueses: Jovens, estudantes e com licença para esmiuçar o cérebro de Paddy Cosgrave

A paixão por Lisboa, “a cidade iluminada”, começa a revelar-se pouco depois. “Adoro a Praça do Comércio. É imensa e a arquitetura é incrível, especialmente quando olhamos da Rua Augusta entre os arcos até ao rio. É muito especial”. Daí que Paddy goste de andar a pé pela zona central da cidade. “É muito convidativa para se passear e faço passeios sozinho ou com a família”. O filho só tem dois anos e gosta de ir ao Jardim Botânico com ele. “Mesmo ao lado (no Princípe Real) há um parque infantil que ele adora”.

O jantar da Web Summit no Palácio Nacional da Ajuda (não confundir com o polémico evento no Panteão Nacional), deixou-o impressionado com o espaço. “Gosto de passear na zona do Bairro Alto e do centro em geral, há história por todo o lado. Vemos edifícios renovados ao lado de outros meio abandonados, mas por algum motivo ali são aceitáveis, são confortáveis à vida porque a arquitetura é tão bonita, que tem charme”. A cidade “encantadora” mesmo nos seus defeitos traz mesmo sentimentos de paixão: “estou demasiado apaixonado pelo centro, pela forma como o sol e as colinas criam um efeito de sombras longas, especialmente ao anoitecer e ao início da manhã, a luz é excecional”.

Sobre restaurantes, tal como na roupa, simplicidade acima de tudo, daí não ter preferidos. “Levam-me a vários restaurantes diferentes e até gosto de ir, mas para mim, quanto mais simples, familiar e com peixe, melhor”. No final, confessa, “sinto-me melhor a viver no campo, no meio da natureza, venho de um meio rural”. Daí que sair da sua amada Irlanda não faça parte dos planos.

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