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Paddy pode rescindir com Lisboa se expansão da FIL não for cumprida

Paddy Cosgrave, Fernando Medina e António Costa na Web Summit de 2018.
(Filipe Amorim / Global Imagens)
Paddy Cosgrave, Fernando Medina e António Costa na Web Summit de 2018. (Filipe Amorim / Global Imagens)

Contrato entre Web Summit e Lisboa prevê resolução se o acordo para alargar local do evento não for cumprido em 12 meses.

Durante meses foi negociada a continuação da Web Summit – uma das maiores conferências de tecnologia e empreendedorismo do mundo – em Lisboa. Após o anúncio da “vitória”, como lhe chamou o presidente da Câmara, Fernando Medina, em outubro de 2018, Paddy Cosgrave explicou que uma das principais condições para a manutenção do evento na capital foi o espaço. As autoridades nacionais comprometeram-se a aumentar a capacidade da Feira Internacional de Lisboa (FIL) para esta acolher o evento.

Ao que o Dinheiro Vivo apurou, o acordo assinado em novembro – e que deveria ter sido levado a reunião de câmara logo nessa altura mas até agora não foi ratificado – entre a Connected Intelligence Limited (CIL), dona da Web Summit, e as autoridades nacionais prevê a possibilidade de rescisão em três situações. Se as entidades nacionais não cumprirem os pagamentos previstos (11 milhões por ano, dos quais três milhões pagos pela autarquia); se a Câmara de Lisboa não cumprir os compromissos relativos à ampliação do local do evento num “período contínuo superior a um ano”; ou, por último, se a CIL decidir não continuar a realizar o evento em Lisboa.

Relativamente aos planos de expansão do local da conferência, uma das cláusulas do acordo indica que a autarquia liderada por Fernando Medina tem de garantir que a Fundação AIP (dona da FIL) fará a expansão do local do evento com o plano de ampliação em todos os sentidos. O alargamento deverá ser feito em duas fases: a primeira em outubro deste ano e a segunda em outubro de 2021. De acordo com a informação a que o Dinheiro Vivo teve acesso, o documento prevê também que se a Web Summit atingir uma escala maior do que o esperado e o local não tiver capacidade para acolher esse crescimento, as partes devem cooperar para encontrar uma solução adequada.

Até ao fecho desta edição, não foi possível obter resposta às questões enviadas à Câmara Municipal.
O gabinete do ministro adjunto e da Economia confirmou ao Dinheiro Vivo que o acordo “contém compromissos do município de Lisboa para a expansão do espaço expositivo afeto à Web Summit (a efetuar por fases) e cláusulas que regulam o que sucede se estes não vierem a concretizar-se nos termos e prazos concretizados: (i) acordo com a Web Summit quanto a soluções provisórias alternativas e, se estas não forem concretizadas, (ii) o pagamento de compensações pela área não disponibilizada”. O Público já tinha noticiado que a autarquia se arriscava a ter de indemnizar a organização se não conseguisse garantir a primeira fase de expansão.

O ministério tutelado por Pedro Siza Vieira adiantou que a Fundação AIP tinha em estudo um “projeto de expansão com dimensão e prazos distintos dos definidos no contrato com a Web Summit. Tanto quanto sabemos, prosseguem discussões técnicas e financeiras entre CML e AIP para encontrar uma solução tecnicamente viável e financeiramente eficiente, de forma que possa ser compatibilizada com os objetivos de acomodação da Web Summit. Essa solução poderá envolver a participação do município no grupo da Fundação AIP”. “Poderão ser realizadas obras na FIL a tempo da edição de 2019. Se não for esse o caso, deverá, nos termos do contrato, acordar-se com a Web Summit outras soluções para acomodar as áreas expositivas previstas para este ano”, acrescenta.

O acordo entre as autoridades nacionais e a Web Summit prevê ainda que Portugal não patrocine nem autorize a realização de um evento semelhante ou concorrente a esta conferência durante os dez anos em que vai ficar em Lisboa. Para já, a CIL garante que não vai realizar nenhum evento semelhante ou concorrente na Europa até 2028.

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