País falha regresso ao mercado e segundo resgate está à espreita

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“A data crucial para o regresso aos mercados é 23 de Setembro
de 2013 e certamente que esperamos ter crescimento positivo antes
disso”. A frase é do ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e
foi profetizada a 19 de março de 2012. Mais de um ano depois,
Portugal ainda não realizou uma emissão de dívida de longo prazo,
sem ser sob a proteção de um sindicato bancário, e, face aos
níveis insustentáveis dos juros, acima do limite de perigo de 7%,
os analistas consultados pelo Dinheiro Vivo consideram que regresso
de forma contínua ainda está distante. Pior, o próprio
primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que há um ano também
anunciava o regresso aos mercados, já admite que Portugal corre o
risco de um segundo resgate.

Regresso de forma contínua está distante”. Leia a entrevista ao analista da Fincor

“As pessoas cá dentro começam a perceber que finalmente a
nossa economia vai melhorar, mas lá fora há dúvidas sobre se nós
conseguiremos fechar este processo de programa de ajustamento. Com os
juros da dívida acima dos 7% a perpetiva de regresso aos mercados é
mais difícil. Medidas como os cortes das pensões dos funcionários
públicos são decisivas para Portugal evitar um novo pedido de ajuda
externa”, alertou, sexta-feira à noite, Passos Coelho, colocando
de novo pressão sobre o Tribunal Constitucional.

Cavaco Silva também está mais preocupado com a possibilidade de
Portugal não conseguir obter acesso ao mercado a taxas de juro
razoáveis, sendo obrigado a recorrer a um segundo mercado. “Ou
Portugal consegue obter financiamento nos mercados a taxas razoáveis,
o que era considerado ate há poucos dias a hipótese mais provável,
(…) ou verifica-se a hipótese mais negativa, a que os analistas
atribuíam até há poucos dias baixa probabilidade, de se verificar
uma incapacidade de Portugal recorrer aos mercados”, defende. E
reforça os apelos a maior estabilidade política.

Os analistas concordam que o cenário não é o mais favorável.
“Não, não é uma boa altura para regressar aos mercados tendo em
conta as elevadas taxas com que a dívida portuguesa está a
negociar”, diz Ricardo Marques, analista da IMF. A opinião é
partilhada por Pedro Lino, CEO da Dif Broker: “Portugal não pode
voltar ao mercado a longo prazo, dadas as taxas que seriam pedidas ao
país. Os atuais níveis de taxas, 7% a 10 anos, são insustentáveis
para um país com uma taxa de crescimento potencial no máximo de
2%”.

Apesar de se manterem acima da barreira fatídica dos 7% fixada
por outro ministro das Finanças – Teixeira dos Santos – para avançar
com o pedido de resgate, as taxas de rendibilidade (yields) da dívida
portuguesa a 10 anos estão hoje a metade do valor a que negociavam
em março de 2012: 13,97%. Além disso, já chegaram a negociar em
valores mais elevados, catapultados pela demissão de Gaspar e pelo
‘sai-não-sai’ de Paulo Portas no início de julho passado.

A escalada dos juros, que contrasta com o que se passa com a
Irlanda, tem sido alimentado por vários fatores: a instabilidade
política, os chumbos do Tribunal Constitucional e, mais
recentemente, a ameaça de corte de rating feito pela Standard &
Poor”s.

Então, quando é que Portugal poderá sair debaixo do chapéu da
troika? “Depende da baixa da perceção do risco, e para tal apenas
é necessário consenso político, ou consenso na sociedade
portuguesa em relação ao caminho a percorrer nos próximos 8 anos”,
refere Pedro Lino.

A possibilidade de Portugal ser forçado a pedir um segundo
resgate continua, por isso, à espreita. Caso não tenha condições
para ir ao mercado, Portugal terá de recorrer a uma fonte de
financiamento alternativa. “Em que moldes esse financiamento vai
ser dado, e como lhe vão chamar, é o que ainda está por se saber”,
acrescenta Ricardo Marques. com Vítor Martins

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