Coronavírus

Pandemia destapa divisão europeia Norte-Sul. Costa ataca Holanda

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O Primeiro-ministro, António Costa, fala aos jornalistas após a reunião do Conselho Europeu, por videoconferência, sobre a resposta conjunta à pandemia de Covid-19 ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

António Costa atacou “discurso repugnante” da Holanda, a bloquear a emissão de eurobonds. Eurogrupo tem duas semanas para apresentar propostas

A crise global da Covid-19 voltou a colocar a nu as divisões Norte-Sul no Conselho Europeu de hoje, com quatro países a bloquearem a adoção das eurobonds (emissão de títulos de dívida conjunta) para fazer face aos efeitos económicos e sociais da pandemia.

O primeiro-ministro português foi particularmente duro com a posição defendida pela Holanda, acusando o seu homólogo de ter tido um “discurso repugnante”, sobre a crise vivida por países como Espanha, considerando-o mesmo “uma ameaça ao espírito da UE”. António Costa prosseguiu dizendo que “já todos tínhamos percebido que era inaceitável a manutenção do senhor Dijsselbloem” e dos comentários sobre os países do sul, mas infelizmente, disse, a Holanda insiste nesse caminho.

Os chefes de Estado e de Governo da UE acordaram hoje uma declaração na qual “convidam” o Eurogrupo a apresentar dentro de duas semanas propostas que tenham em conta os choques socioeconómicos sem precedentes causados pela pandemia de Covid-19.

António Costa também não escondeu o descontentamento com a declaração: “Isto foi o acordo possível, mas claramente insuficiente”, acrescentando que se mantivermos as mesmas divisões de 2008, a Europa sofrerá, perdendo a “oportunidade histórica” para reagir à batalha que nos é imposta por esta pandemia.

Ao fim de cerca de seis horas de discussões, através de videoconferência, os líderes dos 27 adotaram uma declaração conjunta que, no capítulo dedicado a como “enfrentar as consequências socioeconómicas” da pandemia, convida o fórum de ministros das Finanças da zona euro, presidido por Mário Centeno, a apresentar propostas, “dentro de duas semanas”, que “tenham em conta a natureza sem precedentes do choque de Covid-19”, que afeta as economias de todos os Estados-membros.

“A nossa resposta será reforçada, se necessário, com mais ações de uma forma inclusiva, à luz dos desenvolvimentos, de modo a darmos uma resposta abrangente”, lê-se na declaração do Conselho Europeu.

Em relação ao ‘esboço’ de declaração que antes circulava — e que segundo fontes diplomáticas o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, se recusou a assinar -, a alteração prende-se com o prazo dado ao Eurogrupo para avançar com propostas (agora no plural), quando a versão original pedia aos ministros das Finanças que, em breve, aprofundassem “as especificações técnicas” da sua discussão na reunião de terça-feira.

Nessa reunião, os ministros das Finanças da zona euro privilegiaram como solução o recurso a uma linha de crédito com condicionalidades do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE), solução que não agrada a um conjunto de países, entre os quais Itália, Portugal e Espanha, que, juntamente com outros países, reclamaram antes a emissão de dívida conjunta europeia (eurobonds, ou coronabonds).

Entre as decisões tomadas hoje pelo Conselho Europeu destacam-se a criação de uma task force para acelerar o repatriamento de cidadãos europeus no mundo e o prolongamento das limitações à circulação nas fronteiras internas e externas da UE. Os países apelaram ainda à Comissão Europeia para acelerar os processos de compra de material e equipamento médico e de proteção individual, bem como para reforçar o orçamento para a criação de um stock de reserva na UE.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen afirmou, a esse propósito, que estão quatro concursos a decorrer e que existem 17 projetos para a criação de vacinas, à escala europeia.

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