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Pandemia faz disparar assinaturas de serviços de streaming e informação digital

"Narcos" é uma das séries mais vistas da Netflix.
"Narcos" é uma das séries mais vistas da Netflix.

8,9% dos novos subscritores de serviços de assinatura online passaram a pagar por notícias em formato digital, diz estudo da Obercom.

Nunca como em tempos de pandemia os portugueses consumiram tantos serviços de informação e entretenimento online, com um quinto a subscrever, pelo menos, um novo serviço. Serviços de streaming de vídeo como Netflix e HBO foram os mais subscritos, seguidos de serviços online de música, mas também de informação: 8,9% dos novos subscritores passaram a pagar por notícias em formato digital.

As conclusões são do inquérito Pandemia e Consumos Mediáticos, realizado pelo OberCom e a Intercampus. Realizado telefonicamente, entre 20 de junho e 3 de julho de 2020, junto a uma amostra de mil entrevistados, representativas da população portuguesa, o inquérito revela que a pandemia do novo coronavírus, em particular o confinamento, “provocou mudanças nos padrões de consumo dos média, com diferenças significativas a nível geracional”.

Fechados em caso os portugueses assinaram serviços de streaming de vídeo como Netflix e HBO, com 40,7% dos que subscreveram um novo serviço online a aderir a alguma destas plataformas; 11,9% subscreveram algum serviço de streaming de música, e 8,9% passaram a pagar por notícias em formato digital. “De salientar a elevada taxa de retenção destes produtos, já que 84,4% dos que subscreveram algum serviço dizem que não irão cancelar algum destes novos vínculos comunicacionais”, refere o estudo.

O interesse dos portugueses nesse tipo de plataformas é visível quando questionados sobre que produto escolheriam caso lhes fosse oferecida uma subscrição gratuita: 27,8% opta por um serviço de streaming de vídeo, como Netflix ou HBO, 18,5% por canais premium no seu serviço de televisão paga e 9,7% por software ou aplicações com fins educativos. Já notícias em formato digital seriam a escolha de 7,1% dos inquiridos.

Um consumo de media com diferenças marcadas consoante as gerações. Os portugueses da GenZ (16-23 anos) são os que “mais alteraram os seus hábitos de consumo de media, com mais de metade a afirmar que viram mais conteúdos em plataformas como a Netlflix e HBO, e mais de 4 em cada 10 começaram a usar mais serviços de videoconferência”, destaca o estudo da Obercom.

Efetivamente, 55,5% dos portugueses afirma que entre os seus consumos mediáticos este foi o que mais se alterou, “com cerca de 91% a afirmar que utilizou mais estes serviços durante o confinamento do que antes.”

Um consumo transversal, portanto, a todas as gerações e com aumentos significativos: uma subida de 44,4% entre a Genz, de 54,5% entre as Genx (38-56 anos) e Millennials (24-37) e de 43% entre os Boomers (57 e +).

“Este aumento e utilização mais intensiva compreende-se pelo aumento do teletrabalho e também das aulas online, que acabaram por ser opção para universidades e escolas de todos os graus de ensino”, justifica o inquérito.

Consumo de jornais e rádio em queda

Mas se a consulta de notícias online, a utilização de plataformas de streaming, a visualização de televisão e serviços de videoconferência, entre outros, registaram “aumentos exponenciais de utilização”, nem todos os media beneficiaram desse boom do consumo. “A utilização de rádio tradicional e leitura de jornais impressos foram particularmente afetados pela negativa, sendo claro que o digital ganhou um papel preponderante nas dietas mediáticas dos portugueses”, realça a Obercom.

“A SIC, entre as televisões, o Jornal de Notícias e o Correio da Manhã, no caso da imprensa, rádios Comercial e RFM, quanto às rádios, foram as marcas mais utilizadas durante o confinamento e no período que se seguiu”, refere o inquérito.

Mas, deixa uma ressalva: “Há uma elevada percentagem de inquiridos que dizem não ter usado alguma das marcas principais que lhes foram sugeridas no inquérito. O critério para a escolha das marcas apresentadas incidiu sobre a sua visibilidade, procurando sempre manter um quadro de diversidade de marcas e abordagens editoriais”.

Entre as fontes mais utilizadas para informação sobre a covid-19 destaque para os motores de busca (31% dos inquiridos) e o Facebook (usado por 20%). O Instagram (4,1%) foi mais utilizado que o Twitter (1,4%) durante o confinamento, indiciador da “importância que a rede do universo Facebook está a ganhar, ao tornar-se mais usada em Portugal do que a rede de micro-blogging.”

Durante o confinamento, “os portugueses partilharam com os seus grupos de amigos (por exemplo, através de WhatsApp) notícias, edições digitais de jornais ou podcasts com frequência”, também publicaram e comentaram mais nas redes sociais “Salienta-se o facto de um número considerável afirmar que raramente ou nunca faz esse tipo de partilhas (38,6% durante o confinamento, e 41% após o confinamento)”.

“A leitura de artigos de opinião intensificou-se durante o confinamento, sendo dada preferência a artigos de opinião partilhados por marcas de notícias no Facebook, com base em informação prestada por especialistas como investigadores ou epidemiologistas”, constatou ainda o estudo.

Desinformação: portugueses mais atentos

Os portugueses também se mostraram mais atentos aos conteúdos desinformativos, tendo detectado mais conteúdos com este teor durante o confinamento (71,6%) do que no pós-confinamento (54,7%). “Esta diferença poderá estar relacionada com o facto de os portugueses terem estado mais ligados e atentos aos seus canais de comunicação, e não com a existência de menos conteúdos desinformativos”, admite a Obercom.

Quase metade (43,6%) dos inquiridos dizem ter dificuldade em perceber o que é verdadeiro ou falso sobre o coronavírus, e mais de um terço diz evitar notícias sobre a situação (36,4%).

“A maioria discorda que a comunicação social esteja a exagerar a gravidade da pandemia (42,5%), e apenas 23,7% dos portugueses dizem estar confusos quanto ao que podem fazer em resposta à crise causada pela covid-19.”

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