Pandemia faz disparar desemprego, mas verão alivia alguns setores

Não havia tanto desemprego registado desde janeiro de 2018. São mais de 409 mil os inscritos nos centros de emprego de todo o país.

Os centros de emprego nacionais não registavam um número tão elevado de desempregados há mais de dois anos, com agosto a representar uma nova subida nas inscrições ativas, que atingiram as 409 331. São mais 105 mil do que há um ano, e ainda mais 2029 que no mês de julho, com os meses longos da pandemia a garantirem até aqui apenas uma redução ligeira do desemprego em junho, no arranque do verão.

Apesar disso, a análise dos últimos dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, publicados ontem, permite ver algum alívio relativo no desemprego registado durante os meses de férias e de alguma abertura da janela do turismo.

Naquele que tem sido o setor mais penalizado em termos de aumento do desemprego, o alojamento e a restauração, as inscrições de quem perdeu trabalho eram em agosto

40 642, sendo menos 2049 do que em maio, o primeiro mês do chamado desconfinamento. De então para cá, o setor viu 1525 colocações. Já nos meses de junho, julho e agosto do ano passado atingiram as 1665.

A redução do desemprego no setor turístico no verão não tem, no entanto, a amplitude de anos anteriores, onde o ganho de quebra das inscrições de desemprego arrancava pela Páscoa. Em 2019, só o mês de abril limpou mais de oito mil registos de desemprego das listas do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Outro dos setores com alívio estival relativo foi o do imobiliário, atividades administrativas e serviços de apoio, com menos 4190 desempregados relativamente a maio. São ainda mais de 103 mil e o setor representa perto de um terço do desemprego medido pelo IEFP, mas ao longo dos meses de junho, julho e agosto, teve 7638 colocações - bem mais que as 5588 ocorridas nos mesmos meses de 2019.

Também a indústria contou menos 2 694 desempregados registados por comparação com maio, para um total de 74 402. De junho a agosto, teve 4154 colocações, mais do que as 3861 do mesmo período do ano passado.

Por fim, a construção é outro dos setores com um alívio significativo no desemprego registado durante o verão. Atingia em agosto 22 038 indivíduos, menos 2102 do que em maio. Desde junho, a construção somou 1067 colocações, mais do que as 831 do mesmo período de 2019.

Algarve com menos desempregados, Norte com mais

Os dados do IEFP permitem também ver qual foi a evolução do desemprego a nível regional, com melhorias em agosto no Algarve e em Lisboa e Vale do Tejo, e um maior agravamento no Norte e na zona Centro.

A sul do país, a região que mais tem visto o desemprego aumentar teve no último mês uma redução no stock de desemprego de 10,6% face ao mês anterior (menos 2 425). Ainda assim, face há um ano, o desemprego mantém um crescimento de 178%, com mais 13 072 desempregados.

A segunda região com maior aumento homólogo no desemprego registado (48%), Lisboa e Vale do Tejo, também assistiu a uma pequena descida mensal, de 0,2%, com menos 296 inscritos.

O Norte, pelo contrário, viu o desemprego registado subir 2,2% em termos mensais, com mais 3 346 inscritos em agosto, assim como a zona Centro, numa subida de 1,3%, com mais 677 desempregados. Os aumentos foram de 24% e 23%, respetivamente, por comparação com o mesmo mês do ano passado.

Alentejo e Madeira também somaram mais desempregados em agosto, com crescimentos mensais de 0,9% (161 indivíduos) e 3,1% (574 indivíduos), respetivamente. Por comparação com agosto de 2019, ambas as regiões contam mais 27% de inscritos no desemprego.

 

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de